O Plano Ambicioso de Xi Jinping
O sonho do presidente chinês, Xi Jinping, de ver a China não apenas classificada, mas sediando e vencendo a Copa do Mundo de futebol, parecia impulsionado por um plano nacional ambicioso lançado em 2016. Metas ousadas incluíam a construção de 70 mil campos e a participação de 30 milhões de crianças no esporte até 2020. No entanto, os resultados foram decepcionantes, com o país registrando menos jogadores ativos do que a Inglaterra, apesar de sua vasta população.
A Era dos Gastos e a Bolha Financeira
A partir de 2015, a Superliga Chinesa atraiu a atenção mundial com contratações milionárias de craques como Oscar, Hulk e Carlos Tévez, além de técnicos renomados como Luiz Felipe Scolari. O objetivo, contudo, ia além do esporte, servindo como uma estratégia para empresas obterem favores do governo, como acesso a empréstimos e terrenos, inflando artificialmente o setor.
O Impacto da Crise Imobiliária no Futebol
A sustentação financeira dos clubes chineses estava intrinsecamente ligada ao próspero setor imobiliário. Com a crise que assolou esse mercado, o financiamento aos clubes secou drasticamente. O caso emblemático do Guangzhou Evergrande, outrora octacampeão nacional, extinto em 2025 após a falência de sua controladora Evergrande, ilustra a fragilidade do modelo. Mais de 40 clubes profissionais fecharam as portas nos últimos anos devido a dívidas impagáveis e à falta de sustentabilidade.
Corrupção e Falta de Base Sólida
O futebol chinês tem sido assolado por escândalos de manipulação de resultados e subornos, resultando em punições severas, como a perda de pontos para nove equipes e o banimento de mais de 70 pessoas, incluindo o ex-técnico da seleção Li Tie, condenado a 20 anos de prisão. Especialistas apontam a interferência política excessiva e uma abordagem de cima para baixo, sem foco na formação de talentos, como fatores que criaram um terreno fértil para a corrupção.
O Efeito da Política de ‘Covid Zero’
Entre 2020 e 2022, as rigorosas políticas de ‘Covid Zero’ na China impuseram bloqueios severos, forçando campeonatos a serem realizados em bolhas sanitárias e com portões fechados. Essa medida, aliada à dificuldade de atrair e reter talentos estrangeiros, agravou a crise já existente no esporte, afastando o público e prejudicando o desenvolvimento a longo prazo, embora não seja a única causa do fracasso do projeto nacional.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
