Medidas para conter inflação da carne nos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou a carne brasileira, classificando-a como de “boa qualidade” durante um evento na Casa Branca. Na ocasião, Trump anunciou novas medidas visando a redução dos preços do produto no mercado americano. A Casa Branca busca, com essas ações, enfrentar a alta dos preços da carne bovina, que tem sido pressionada pela redução do rebanho nos EUA, o menor em cerca de 75 anos. Fatores como secas, incêndios e restrições à entrada de animais do México contribuíram para a diminuição da oferta, com previsão de recuo de 4% na produção americana de carne bovina neste ano.
Brasil se beneficia com ampliação de cota de importação
Em uma tentativa de conter a inflação, Trump ampliou temporariamente em 300 mil toneladas a cota de carne bovina magra com tarifa reduzida que pode entrar nos Estados Unidos. O volume foi dividido em três etapas de 100 mil toneladas entre setembro e novembro. A expectativa é que a carne importada por essa cota seja vendida cerca de 25% mais barata. O Brasil, segundo maior destino da carne bovina brasileira no período de janeiro a julho deste ano, com 233,8 mil toneladas exportadas para os EUA, pode se beneficiar significativamente dessa abertura. A ampliação da cota pode impulsionar ainda mais os embarques, reduzindo o impacto das tarifas de aproximadamente 26% que incidem sobre o volume exportado acima da cota regular.
Influência de Joesley Batista e JBS no mercado americano
A decisão de Trump ocorre após uma série de contatos com o empresário brasileiro Joesley Batista, um dos controladores da JBS, gigante do setor de carnes com operações nos Estados Unidos. Segundo o jornal americano Wall Street Journal, Joesley se reuniu com Trump em agosto e defendeu que a entrada de mais carne brasileira poderia ajudar a reduzir os preços, caso as tarifas de importação fossem diminuídas. No dia seguinte ao encontro, Trump anunciou a ampliação temporária da entrada de carne estrangeira. Joesley Batista já havia se reunido reservadamente com Trump anteriormente, em setembro do ano passado, para discutir preocupações sobre tarifas impostas ao Brasil, argumentando que as barreiras comerciais encareciam a carne para os consumidores americanos. A JBS, por meio de sua controlada Pilgrim’s Pride, também realizou doações significativas ao comitê de posse de Trump em 2017.
Contexto global: Restrição na Europa e oportunidades para o Brasil
A abertura do mercado americano ocorre em um momento delicado para a carne brasileira na Europa. Na quinta-feira (3), a União Europeia suspendeu a entrada de carne e outros produtos de origem animal do Brasil, alegando falta de garantias sobre o cumprimento das regras do bloco relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. O governo brasileiro contesta a decisão e ameaça medidas de reciprocidade caso as negociações com Bruxelas não avancem. Diante desse cenário, a maior entrada no mercado americano surge como uma oportunidade importante para a indústria frigorífica brasileira.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
