Trabalhador nepalês descreve fuga desesperada de 20 minutos de avalanche de água e gelo em túnel

0
3

Trabalhador nepalês descreve fuga desesperada de 20 minutos de avalanche de água e gelo em túnel

Pemba Dundu Tamang relata o terror vivido enquanto a força da natureza destruía sua casa e levava entes queridos. Esforços de resgate continuam em meio a milhares de desaparecidos após desastre.

O trabalhador nepalês Pemba Dundu Tamang descreveu momentos de puro pânico ao sobreviver a uma avalanche que devastou a região. Trabalhando na construção de um túnel para uma usina hidrelétrica, Tamang e sua equipe de cerca de 30 pessoas foram surpreendidos por uma rajada de ar repentina e intensa. A força do vento lançou materiais de construção pelos ares e deslocou máquinas pesadas.

A Fuga em Meio ao Caos

“Eu corri em direção à entrada do túnel”, relatou Tamang. “A água vinha atrás de mim, e eu corria à frente dela.” Ele descreveu uma corrida de aproximadamente 20 minutos, subindo o terreno enquanto a enxurrada implacável o perseguia. O choque foi tão grande que ele quase perdeu a consciência e a capacidade de pensar com clareza. Seu colega, Itha Ghale, corroborou a intensidade do evento, afirmando que a rajada de ar quase os derrubou enquanto corriam.

Devastação Pessoal e Nacional

A tragédia não se limitou ao local de trabalho. Ao escapar do túnel, Tamang deparou-se com a devastação completa de sua comunidade. “Eu conseguia ver o lugar onde minha casa deveria estar. Não havia sobrado nada”, disse ele, emocionado. Seis de seus parentes — sua mãe, irmão mais velho, cunhada e três sobrinhos — desapareceram após serem surpreendidos pelas enchentes em sua casa, localizada às margens do rio. Apenas sua esposa, um filho e outro sobrinho sobreviveram.

Operação de Resgate e o Trauma dos Sobreviventes

O Nepal enfrenta uma crise humanitária, com o número de mortos ultrapassando mil e cerca de 4 mil pessoas desaparecidas. Centenas de trabalhadores, como Tamang, atuavam em uma extensa rede de túneis de usinas hidrelétricas. Engenheiros e o exército estão em uma corrida contra o tempo, bombeando ar para dentro dos túneis e realizando buscas incessantes. O porta-voz do Exército do Nepal, Raja Ram Basnet, afirmou que a prioridade é a busca e resgate, além da coleta de corpos para evitar a propagação de doenças. Na terça-feira, 119 pessoas foram resgatadas. Para Tamang, a sobrevivência traz um sofrimento imensurável: “Eu sinto que a vida não tem mais sentido. Sobreviver é doloroso. Os mortos estão em paz. Somos nós, que sobrevivemos, que sofremos.”

Causas e Lições do Desastre

Especialistas apontam que sinais de instabilidade crescente na região da geleira, como o rápido deslocamento da superfície, o escurecimento da água de degelo e rachaduras na rocha, poderiam ter alertado sobre o risco. Embora a avalanche tenha sido rápida demais para sistemas de alerta convencionais, um sistema mais abrangente para as áreas mais baixas do rio poderia ter salvado muitas vidas. Enquanto isso, equipes internacionais trabalham incansavelmente nos destroços das usinas, na esperança de encontrar mais sobreviventes. Tamang, porém, teme pelo futuro: “Se as coisas continuarem assim, vamos passar fome. Às vezes, acho que teria sido melhor não ter sobrevivido.”

Fonte: g1.globo.com

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here