A proteção de dados deixou de ser um mero detalhe técnico para se tornar um pilar estratégico fundamental para qualquer empresa. Com a aceleração da digitalização e o avanço da inteligência artificial, um volume gigantesco de informações pessoais e corporativas transita diariamente por diversas plataformas. Esse cenário eleva o risco e o custo de incidentes de segurança, que, segundo o relatório Cost of a Data Breach 2025 da IBM, alcançaram uma média global de US$ 4,9 milhões. Isso reforça que a gestão adequada dos dados impacta diretamente a continuidade dos negócios, a reputação e a competitividade.
A proliferação de soluções baseadas em IA intensifica a geração, o compartilhamento e o processamento de dados. Contratos, cadastros, documentos financeiros e informações de clientes circulam entre sistemas, fornecedores e ambientes em nuvem. Diante disso, avaliar como as informações são tratadas tornou-se um passo indispensável na escolha de qualquer parceiro tecnológico ou serviço.
Certificações como a ISO 27001 são importantes indicadores de boas práticas em segurança da informação, mas representam apenas um dos critérios. É fundamental ir além e compreender o ciclo de vida completo dos dados: como são coletados, armazenados, compartilhados e protegidos desde o início até o descarte. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no Brasil estabelece requisitos essenciais, mas uma estratégia robusta vai além, englobando processos internos bem definidos, governança, monitoramento contínuo, gestão de acessos e total transparência com clientes e parceiros.
Política de Privacidade Clara e Acessível
Um dos primeiros pontos de contato para clientes e parceiros é a política de privacidade. Este documento não deve apenas cumprir os requisitos legais, mas também explicar de forma objetiva e transparente quais informações são coletadas, para quais finalidades serão utilizadas, por quanto tempo permanecerão armazenadas e, crucialmente, como o titular pode exercer seus direitos garantidos pela LGPD. Quanto mais clara e direta for essa comunicação, maior será a facilidade para compreender o compromisso da empresa com o tratamento adequado das informações.
Governança Abrangente sobre o Ciclo de Vida dos Dados
É vital verificar se a empresa possui controle efetivo sobre todo o ciclo de vida das informações. Isso implica saber exatamente onde os dados são armazenados, quem tem permissão para acessá-los, quais mecanismos de criptografia são empregados, como funciona o controle de permissões e quais registros permitem rastrear acessos e alterações nos documentos. Essa governança se torna ainda mais crítica em cenários que envolvem contratos e documentos eletrônicos, que frequentemente contêm dados pessoais, financeiros e jurídicos sensíveis. Definir políticas claras para retenção e descarte de informações também é parte dessa governança, evitando o armazenamento desnecessário de dados sem finalidade legal ou operacional.
Critérios Rigorosos para Seleção de Fornecedores
A proteção de dados não é uma responsabilidade exclusiva da empresa; ela se estende aos seus parceiros. Serviços em nuvem, plataformas de assinatura eletrônica, sistemas de gestão e outras integrações fazem parte da rotina operacional e processam um vasto volume de informações. Por isso, é indispensável avaliar se esses fornecedores possuem certificações reconhecidas, políticas de segurança documentadas, auditorias periódicas e práticas de conformidade alinhadas às exigências regulatórias. A transparência nesses processos aumenta a previsibilidade e a segurança na gestão das informações compartilhadas.
Capacidade de Resposta a Incidentes de Segurança
Mesmo com os processos mais estruturados e os maiores investimentos em segurança, a ocorrência de incidentes não pode ser descartada. Por isso, é crucial verificar se a organização possui um plano de resposta a incidentes bem definido, com procedimentos claros para identificação, comunicação, contenção e tratamento de eventuais ocorrências. A existência e a clareza desses processos demonstram preparo e capacidade de lidar com situações que exigem respostas rápidas e coordenadas, minimizando danos e garantindo a conformidade.
A proteção de dados consolidará seu espaço como um dos temas mais estratégicos dentro das empresas, especialmente com a contínua evolução da inteligência artificial e a digitalização. A IDC projeta que os investimentos globais em segurança da informação superarão US$ 300 bilhões até 2028, evidenciando essa tendência. Mais do que apenas cumprir a LGPD, as organizações precisarão adotar processos que garantam transparência, governança e segurança em todas as etapas do ciclo de vida das informações. Essa diligência não só fortalece a confiança entre empresas, clientes e parceiros, mas também é vital para reduzir riscos operacionais e proteger a reputação do negócio, em um contexto onde os ciberataques, como apontado pela Check Point Research, disparam no Brasil.
Fonte: canaltech.com.br
