Palmeiras acusa Flamengo e Grêmio de ‘mentira’ em nota sobre a Libra e acirra disputa bilionária por direitos de transmissão

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O Palmeiras divulgou um comunicado oficial nesta quinta-feira (7), acusando Flamengo e Grêmio de mentirem em uma nota conjunta sobre a Liga do Futebol Brasileiro (Libra), publicada pela dupla na última quarta-feira. O clube paulista apresentou uma versão divergente sobre a partilha de direitos de transmissão no contrato firmado com a Globo para o período de 2026 a 2029, intensificando o racha entre os grandes clubes do futebol brasileiro.

No centro da discórdia, o Palmeiras afirma categoricamente que “não assinou qualquer documento que implique em receitas adicionais ao Grêmio”. A nota do Alviverde contradiz diretamente o comunicado de Flamengo e Grêmio, que alegava um consenso entre os clubes da Libra para ampliar a participação de ambos nas receitas de audiência, garantindo valores adicionais.

Palmeiras contesta versão de Flamengo e Grêmio

O Palmeiras não apenas negou a concessão de verbas extras ao Grêmio, mas também revelou que o recente acordo com a Globo determina que o próprio clube gaúcho – assim como os demais signatários – pagará um valor fixo anual ao Flamengo. Essa informação desmente a narrativa de que o Grêmio seria beneficiado com receitas adicionais a partir de um consenso geral.

O clube paulista ainda ressaltou que “não participou de eventual acordo celebrado por Grêmio e Flamengo fora do âmbito institucional da Libra”, indicando que qualquer acerto entre a dupla não teve sua chancela ou participação, reforçando a ideia de que o suposto consenso não existiu de fato.

O racha na Libra e o acordo com o Flamengo

A tensão entre o Palmeiras e os demais membros da Libra não é recente. Na terça-feira (5), o clube anunciou sua saída da liga, horas depois de a Libra e o Flamengo oficializarem um acordo com os demais integrantes do bloco sobre a distribuição de receitas. Esse acordo prevê que o Flamengo receberá R$ 150 milhões adicionais durante quatro anos, em parcelas iguais de R$ 37,5 milhões, valor que seria rateado entre os demais clubes.

A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, manifestou-se contrária a esse acordo, citando “atitudes predatórias” por parte do rival carioca. Segundo fontes, todos os clubes do grupo tiveram que abrir mão de uma parcela de dinheiro para que o valor desejado pelo presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista (Bap), fosse alcançado. Apesar da saída da Libra, o Palmeiras não planeja se associar à Futebol Forte União (FFU) neste momento.

Por que o Flamengo receberá mais dinheiro?

A controvérsia em torno das receitas adicionais do Flamengo tem suas raízes na negociação dos direitos de transmissão. Ao contrário da FFU, que fragmentou a venda de direitos de TV, a Libra vendeu os direitos de transmissão de seus times para uma única emissora, a Globo, por R$ 1,17 bilhão por temporada.

Inicialmente, o Flamengo tentou negociar novas regras para o repasse, mas foi rechaçado pelos dirigentes das demais equipes filiadas à Libra. Em 25 de setembro de 2025, o clube carioca conseguiu uma liminar na Justiça para suspender o pagamento da Globo, tornando pública a disputa entre os dirigentes.

A brecha no estatuto da Libra

A diretoria rubro-negra encontrou uma brecha crucial no estatuto da Libra. Primeiro, o documento assinado por todos os clubes não havia determinado o peso de cada plataforma no contrato com a emissora carioca. Segundo, e mais importante, o Flamengo argumentava que a verba vinculada à audiência possuía um critério incompleto.

O estatuto da Libra define que o dinheiro da Globo na Série A será dividido em: 40% de forma igualitária, 30% por performance e 30% por audiência. Para os 30% de audiência, o regimento estabelece que a distribuição será “calculada de acordo com a porcentagem de audiência de cada Clube Associado sobre o total dos Clubes Associados da Série A, por plataforma de transmissão ou streaming”. A ausência da determinação do peso de cada plataforma, tanto no estatuto quanto no contrato com a Globo, permitiu ao Flamengo questionar judicialmente o repasse das verbas. A negociação entre os dirigentes avançou para a arbitragem e, sete meses depois, resultou na solução que agora gera discórdia.

Fonte: jovempan.com.br

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