ONU em xeque: China, Rússia e França vetam força para reabrir Estreito de Ormuz; petróleo em alta

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Impasse na ONU adia votação crucial sobre Estreito de Ormuz

O Conselho de Segurança da ONU adiou para sábado (amanhã) a votação de uma resolução proposta pelo Bahrein que visa autorizar o uso de “todos os meios defensivos necessários” para garantir a passagem de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz. A medida, que teria validade de seis meses, busca responder à crescente ameaça ao comércio marítimo na região, especialmente após recentes ataques ao Irã que praticamente fecharam a vital rota. No entanto, a proposta enfrenta forte oposição da China, Rússia e França, membros permanentes do Conselho com poder de veto, levantando sérias dúvidas sobre sua aprovação.

China, Rússia e França alegam risco de escalada e “uso ilegal da força”

Os três países argumentam que a autorização para o uso da força legitimaria ações ilegais e indiscriminadas, podendo levar a uma escalada do conflito com “graves consequências”. O enviado da China à ONU, Fu Cong, classificou a proposta como um risco de “uso ilegal e indiscriminado da força”. Diplomatas revelaram que uma versão anterior do texto já havia sido bloqueada por esses países através do “procedimento de silêncio”, um sinal claro de oposição, e que eles pressionaram pela retirada de trechos considerados mais duros.

Estreito de Ormuz: rota estratégica e alvo de tensões crescentes

O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo e gás mundial, tornou-se um ponto crítico de tensão após os ataques entre Estados Unidos e Irã no fim de fevereiro, que desencadearam um conflito de mais de um mês. O Bahrein, através de seu ministro das Relações Exteriores, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, classificou a tentativa do Irã de controlar a navegação como “ilegal e injustificada”, ameaçando interesses globais e exigindo uma “resposta decisiva”. O Irã, por sua vez, sinalizou a intenção de manter a supervisão do tráfego na via, mesmo após o fim da guerra.

Impacto global e a dependência de apoio externo

O bloqueio do Estreito de Ormuz já impactou significativamente a economia global, elevando custos de energia, transporte e seguros. Analistas apontam que, embora a resolução do Bahrein tenha peso simbólico, a capacidade militar dos países do Golfo para garantir a segurança da navegação é limitada, dependendo fortemente do apoio dos Estados Unidos. O presidente francês, Emmanuel Macron, também criticou a ideia de reabrir o estreito pela força, considerando a proposta “irrealista” e alertando para os riscos de ataques e a presença de forças iranianas na região. Enquanto isso, os EUA afirmam que continuarão seus ataques, mas sem um plano claro para a reabertura, o que contribui para a alta dos preços do petróleo e a preocupação com a segurança internacional.

Fonte: g1.globo.com

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