Figura Controversa em Negociações Chave
Alejandro Betancourt López, um empresário venezuelano com histórico de investigações por corrupção na Europa e nos Estados Unidos, encontra-se no epicentro de um acordo ambicioso entre o governo de Donald Trump e a Venezuela. O pacto, ainda em negociação, visa reestruturar a indústria petrolífera do país sul-americano e prevê uma participação majoritária do governo americano em projetos que englobam mais de 65 bilhões de barris das ricas reservas de petróleo venezuelanas.
A Influência da Nabep e o Interesse Americano
A proeminência de Betancourt López nas negociações é amplamente atribuída ao controle de sua família sobre a North American Blue Energy Partners (Nabep), a segunda maior petrolífera privada da Venezuela. Fontes indicam que a Casa Branca, por meio do Escritório de Capital Estratégico do Pentágono, lideraria o megaprojeto, enquanto a Nabep ficaria responsável pelas operações em terra. O acordo abrangeria 17 campos de petróleo, prometendo um impacto significativo na economia venezuelana, com projeções de mais de US$ 200 bilhões em receita tributária, segundo a líder interina Delcy Rodríguez.
Ascensão na Era Chávez e Conexões Suspeitas
Betancourt López construiu seu império durante um período de profunda crise na Venezuela, sob o governo de Hugo Chávez. Naquela época, o empresário, conhecido como um dos “bolichicos”, foi convidado pelo regime a participar da construção de usinas termelétricas, firmando 12 contratos em menos de 14 meses, mesmo sem experiência prévia na área, segundo a organização Transparencia Venezuela. Acredita-se que sua ascensão esteja ligada a relações próximas com Javier Andrés Alvarado Pardi, filho de Javier Alvarado Ochoa, ex-presidente da Electricidad de Caracas e também investigado por corrupção.
Investigações e a Ponte com Trump
Apesar de décadas de investigações nos EUA e na Europa por lavagem de dinheiro, suborno e aquisição de propriedades de luxo, Betancourt López nunca foi formalmente acusado. Sua conexão com o governo Trump, no entanto, remonta a 2019, quando contratou Rudy Giuliani, ex-prefeito de Nova York e advogado pessoal de Trump, para auxiliá-lo em uma investigação do Departamento de Justiça. O interesse americano no acordo também reside na possibilidade de adquirir uma participação passiva de 35% na Nabep e direitos preferenciais para a compra de 20% da produção a preço de custo, o que, segundo o Secretário de Estado Marco Rubio, garantiria petróleo a baixo custo no Hemisfério Ocidental e preços mais baixos da gasolina para os americanos.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
