CNC Lança Campanha Contra Mudanças Trabalhistas
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), juntamente com suas 34 federações e sindicatos filiados, iniciou uma campanha nacional com o lema “A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não”. O movimento é um apelo aos senadores que debatem a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa alterar a jornada de trabalho e extinguir a escala 6×1, amplamente utilizada no setor terciário.
Economia Fragilizada e Riscos da PEC
A CNC argumenta que a economia brasileira já enfrenta severas dificuldades, como juros altos, crédito caro, alto endividamento das famílias e inadimplência empresarial. A entidade destaca que impor uma mudança constitucional rígida sobre a jornada de trabalho neste cenário pode acelerar a instabilidade econômica. Além disso, o fim da Taxa das Blusinhas também é visto como um agravante para a concorrência desleal no varejo nacional, em um momento onde interesses políticos podem influenciar decisões econômicas.
Impacto nos Custos e no Emprego
A imposição de uma elevação abrupta nos custos operacionais, especialmente em um setor onde mais de 90% da mão de obra atua na escala 6×1, poderá ser repassada ao consumidor na forma de inflação. Isso, segundo a CNC, geraria retração de vagas, aumento da informalidade e prejuízos aos empresários. O Presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, enfatizou a necessidade de responsabilidade e ponderação, defendendo que decisões dessa magnitude exijam análise técnica e diálogo, e não pressa eleitoral.
Propostas Alternativas e Vulnerabilidade do Turismo
A CNC defende que a readequação de jornadas ocorra por meio de convenções coletivas de trabalho, respeitando a autonomia das negociações entre empregadores e empregados, conforme previsto na Constituição desde a reforma trabalhista de 2017. A Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA) reforçou o posicionamento, alertando para as particularidades dos seus segmentos. Um estudo da CNC aponta o turismo como um dos setores mais vulneráveis, com potencial custo de adequação de 54%, devido à intensidade de mão de obra e à dificuldade de automação em serviços presenciais. O Presidente da FBHA, Alexandre Sampaio, ressaltou que uma regra única pode ter efeitos distintos e prejudiciais, defendendo avaliação responsável para evitar aumento de preços e perda de empregos.
Fonte: revistahoteis.com.br
