Manifesto em defesa do regime
O Movimento Patriótico de Comunicadores da Nicarágua, formado por jornalistas e comunicadores alinhados ao governo de Daniel Ortega, divulgou um manifesto nesta terça-feira (8) em apoio explícito ao regime sandinista. Na declaração, o grupo afirma estar em uma batalha contra o que chamam de “notícias falsas” e “tentativas de golpe”, em alusão a críticas e denúncias contra o governo.
“Continuamos a triunfar sobre o terrorismo midiático, sobre as tentativas de golpe, o fascismo, as notícias falsas, as mentiras, a calúnia e a difamação”, declararam os comunicadores durante uma manifestação pelo Dia Internacional do Jornalista. O movimento também endossou e celebrou as ações do “bom governo sandinista”, liderado por Daniel Ortega e Rosario Murillo, para “fortalecer nossa democracia e continuar defendendo a paz, a soberania, a estabilidade e lutando contra a pobreza”.
Apoio a reformas constitucionais controversas
O manifesto reafirma o “apoio firme, total e retumbante” à recente reforma parcial da Constituição Política. A mudança legislativa, aprovada pela Assembleia Nacional controlada pelo partido sandinista, busca consolidar ainda mais o poder de Ortega e Murillo. Entre as novas medidas, está a exclusão de opositores considerados “traidores da pátria” da participação em cargos eletivos e a extensão do mandato presidencial para sete anos.
Repressão e exílio de jornalistas
Em contraste com o apoio declarado pelos comunicadores pró-regime, a Fundação para a Liberdade de Expressão e Democracia (FLED), organização não governamental humanitária, alertou que, por ocasião do Dia do Jornalista, ao menos sete jornalistas nicaraguenses exilados na Costa Rica relataram estar sendo seguidos e ameaçados. As denúncias incluem vigilância perto de suas residências, assédio em redes sociais, ligações de números desconhecidos, divulgação de informações privadas e intimidação em espaços públicos.
Desde abril de 2018, o governo Ortega-Murillo é acusado de fechar pelo menos 54 veículos de comunicação, com cinco sedes invadidas e confiscadas, incluindo jornais como La Prensa, Confidencial, 100% Noticias e Trinchera de la Noticia. Segundo a FLED, aproximadamente 310 profissionais da mídia deixaram o país por motivos de segurança ou foram exilados.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
