EUA Votam Contra Novo Mapa-Múndi na ONU; África e Hemisfério Sul Ganham Destaque

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EUA Votam Contra Novo Mapa-Múndi na ONU; África e Hemisfério Sul Ganham Destaque

A resolução, que busca corrigir distorções geográficas e dar maior visibilidade a regiões sub-representadas, foi aprovada com 164 votos a favor, mas encontrou forte oposição americana.

Em uma votação que dividiu opiniões na Assembleia Geral da ONU, os Estados Unidos se posicionaram como o único país a votar contra a adoção de novos mapas-múndi. A resolução, proposta pelo Togo, visa corrigir distorções históricas na representação cartográfica, dando maior dimensão a continentes como a África e outras nações do Hemisfério Sul, enquanto o Hemisfério Norte aparece proporcionalmente menor. A decisão contou com 164 votos favoráveis, seis abstenções e a única oposição vinda dos EUA.

O Que a Resolução Propõe?

A iniciativa não obriga o abandono da tradicional projeção de Mercator, criada no século XVI, mas incentiva a difusão de mapas como o Equal Earth, desenvolvido em 2018. O objetivo deste novo modelo é retratar com maior precisão as dimensões reais dos países e continentes. A União Africana celebrou a aprovação, destacando que a projeção de Mercator subestimava drasticamente o tamanho da África, por exemplo, comparando-a erroneamente à Groenlândia, quando na verdade é 14 vezes maior.

Justificativa Americana: Teor Ideológico e Prioridades Divergentes

Yaryna Ferencevych, vice-representante dos EUA na ONU, argumentou em nota oficial que a resolução possuía um “teor ideológico” e que desviava o foco de questões mais urgentes. Segundo ela, a iniciativa “ridiculariza o trabalho e o propósito desta instituição”, associando-a a um “projeto ideológico muito maior e mais radical”. Ferencevych criticou o debate sobre projeções cartográficas do século XVI em detrimento de discussões sobre paz internacional, prosperidade e boas relações, afirmando que tais resoluções “são como cracas que se prendem ao nosso trabalho aqui” e contribuem para a perda de credibilidade da ONU.

O Impacto da Mudança Cartográfica

A mudança na representação cartográfica pode ter um impacto visual significativo, especialmente para países que, na projeção de Mercator, aparecem maiores do que sua real dimensão. Os Estados Unidos, por exemplo, estariam entre as nações que “perderiam” tamanho no novo mapa. A União Africana ressaltou que a adoção de mapas mais proporcionais, como o Equal Earth, é um passo histórico para uma representação cartográfica global mais precisa e equitativa, garantindo que a verdadeira escala e o peso da África no mundo sejam finalmente refletidos em salas de aula, na mídia e em instituições internacionais.

Contexto Político: Relações EUA-ONU sob Trump

A oposição americana à resolução se insere em um contexto de tensões entre os Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, e as Nações Unidas. Desde seu retorno à Casa Branca em 2025, Trump tem criticado a instituição por burocracia e atuação ideológica, além de ter cortado verbas e exigido reformas. A criação do Conselho da Paz, uma iniciativa americana para gerir conflitos como o de Gaza, ainda não decolou, mas reflete a visão de Trump sobre a necessidade de ações mais pragmáticas e menos ideológicas por parte da comunidade internacional.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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