Primeiras mortes civis por drone autônomo?
Autoridades ucranianas relataram que um drone russo, equipado com inteligência artificial (IA), teria atacado e explodido um posto de combustível na cidade de Zaporizhzhia, no leste da Ucrânia, no dia 6 de julho, resultando na morte de três civis. Segundo o jornal americano “The New York Times”, Kiev afirma que a decisão de atacar foi tomada pelo próprio drone, sem a interferência de um operador humano.
O que torna este evento tão alarmante?
Caso a informação ucraniana seja confirmada, este seria o primeiro incidente documentado de uma arma autônoma causando a morte de civis em um conflito armado. “Esse é um risco para o mundo inteiro. Em alguns anos, nós estaremos vivendo em um filme do ‘Exterminador do Futuro’. Não é brincadeira. Máquinas estão tomando decisões de atacar”, alertou Serhiy Minaiev, comandante das defesas aéreas de Zaporizhzhia.
Como o drone teria agido?
De acordo com a Ucrânia, o drone utilizava um chip de IA fabricado pela americana Nvidia, que havia sido previamente programado por um operador humano para identificar e atacar um posto de combustível. Ao se aproximar do alvo, a inteligência artificial teria identificado os tanques de gás propano e decidido o ponto exato do impacto de forma autônoma, visando maximizar a destruição. A análise forense dos destroços do equipamento teria levado à conclusão sobre o uso de IA.
Implicações éticas e uso de IA em armamentos
O caso levanta sérias questões éticas sobre o desenvolvimento e uso de armas autônomas. Críticos argumentam que esses sistemas, treinados para reconhecer alvos como infraestruturas ou combatentes, podem ter maior propensão a cometer erros, como confundir civis com combatentes, o que configuraria crimes de guerra. A ONU e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) já manifestaram preocupação e pediram limites globais para o uso de armamentos autônomos, sem citar diretamente o incidente na Ucrânia. Entidades defendem a criação de regras para proteger a população civil antes que a tecnologia se torne mais difundida em combates.
Tecnologia similar em outros países
Tanto a Rússia quanto a Ucrânia já empregam IA em seus drones de combate, embora com sistemas que tradicionalmente exigem a decisão final de um operador humano. Relatos indicam que Israel também utiliza programas de IA para auxiliar na identificação de alvos e membros de grupos como o Hamas na Faixa de Gaza. A Nvidia, fabricante do chip mencionado, afirmou que o produto é vendido para fins educacionais e de desenvolvimento, e não diretamente na Rússia, mas pode ser encontrado no mercado secundário.
Fonte: g1.globo.com
