Mudança Radical na Política de Segurança
O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, marcou uma ruptura drástica com a política de seu antecessor, Gustavo Petro, ao encerrar formalmente as negociações de paz com diversos grupos armados ilegais. A iniciativa, conhecida como “paz total”, que buscava um diálogo simultâneo com organizações guerrilheiras, dissidências das FARC e grupos criminosos, foi oficialmente desmantelada por meio de resoluções expedidas na noite de sexta-feira (28). As medidas revogam o reconhecimento de delegados e encerram mesas de diálogo e conversas sociojurídicas estabelecidas anteriormente.
Justificativas Oficiais e Grupos Afetados
O novo governo argumentou que a decisão de conduzir aproximações e negociações de paz é constitucionalmente prerrogativa do presidente. Entre os grupos cujos diálogos foram encerrados, destacam-se o Estado-Maior dos Blocos Magdalena Medio, Comandante Gentil Duarte, Comandante Jorge Suárez Briceño e Frente Raúl Reyes (EMBF), a Coordenação Nacional do Exército Bolivariano (CNEB) e as Autodefesas Conquistadoras da Serra Nevada (ACSN). Em um dos casos, o governo apontou a falta de uma “real vontade de paz e reintegração à vida civil” por parte da Coordenação Nacional do Exército Bolivariano, apesar da existência de uma mesa de diálogo.
Ruptura com a Estratégia Anterior e Revogação de Credenciais
A política de “paz total” de Gustavo Petro enfrentou sucessivos obstáculos, com negociações com o ELN e o EMC chegando a ser suspensas. A mudança para uma linha dura já havia sido sinalizada por De la Espriella antes de assumir a presidência, quando declarou que não ofereceria “concessões inaceitáveis” e que a possibilidade de diálogo com esses grupos estava “completamente esgotada”. Além de encerrar os diálogos, o governo revogou as credenciais dos negociadores oficiais colombianos e os reconhecimentos concedidos aos representantes dos grupos armados. Armando Novoa, um dos principais negociadores, classificou a medida como “desnecessária”, uma vez que as renúncias já haviam sido apresentadas.
Foco em Operações Militares e Cooperação Internacional
A nova orientação do governo De la Espriella já se reflete em ações concretas. Recentemente, foram anunciadas prisões de integrantes de dissidências das FARC em operações militares. O presidente afirmou que o crime será enfrentado “com todo o rigor da lei”, prometendo que o Estado “jamais se curvará novamente perante o crime ou o narcoterrorismo”. Paralelamente a essa mudança de estratégia interna, a Colômbia tem fortalecido a cooperação militar com o Equador e os Estados Unidos. Recentemente, autoridades dos três países se reuniram para discutir estratégias conjuntas contra organizações criminosas transnacionais que atuam na região de fronteira, focando no compartilhamento de inteligência e coordenação de operações.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
