Um laço inquebrável, um segredo biológico
A amizade entre Meena Geltink, de 43 anos, e Minal Tijssen, de 44, parecia predestinada. Nascidas na Índia e adotadas por famílias diferentes quando bebês, elas cresceram na Holanda, próximas uma da outra. A conexão foi imediata desde o primeiro encontro na adolescência, e a cumplicidade as levou a se chamarem de “irmã”, mesmo sem ter ideia de seu parentesco biológico.
Durante anos, elas trocaram cartas, compartilhando os detalhes da vida: escola, amigos, paixões e gostos musicais, descobrindo afinidades como o amor pelos Backstreet Boys. A amizade se fortaleceu com essa sensação de irmandade, que mais tarde se revelaria uma profunda verdade.
A reviravolta do teste de DNA
A vida, no entanto, as separou. Minal mudou-se para a França, e Meena se tornou mãe, levando a um distanciamento natural. Quinze anos depois, um teste de DNA mudaria tudo. Em 2017, Meena fez o exame, mas não encontrou nenhuma correspondência significativa. A surpresa veio em maio deste ano, quando Minal a contatou pelo Facebook, enviando o resultado de seu próprio teste de DNA.
Meena reinstalou o aplicativo com o coração acelerado e, ao ver a compatibilidade de 100%, a realidade a atingiu: ela tinha uma “irmã completa”. A notícia foi recebida com lágrimas e a sensação de que a peça que faltava em seu quebra-cabeça havia sido encontrada. “Essa correspondência de DNA confirmou que toda a nossa intuição estava certa”, declarou Meena.
O reencontro: mais que amigas, irmãs
O reencontro, realizado em agosto, foi descrito como um “retorno para casa”. “Foi incrível. Parecia um retorno para casa”, disse Meena, agora mãe de três filhos. A sensação de completude tomou conta de ambas, preenchendo um vazio que sentiram por anos. A Reuters noticiou o evento com “lágrimas, abraços e risos”, marcando o primeiro encontro oficial como irmãs.
Minal revelou que, inicialmente, não associou o resultado do DNA à sua amiga de longa data. Foi ao ver as fotos nas redes sociais que a ficha caiu: “Meena: Irmã. Eu não conseguia acreditar. Éramos amigas antes de sermos irmãs.”
Um passado em comum, um futuro a dois
Meena e Minal foram adotadas de orfanatos distintos em Mumbai. Meena cresceu em uma vila holandesa com pais amorosos, que a apoiaram em sua busca por informações sobre suas origens em 2003, sem sucesso. Desde maio, as irmãs têm estreitado laços, apresentando familiares e percebendo as semelhanças físicas e comportamentais que as unem.
Ainda processando a magnitude da descoberta, elas planejam uma viagem à Índia para conhecer o local de suas origens juntas. “Houve momentos em que ambas nos sentimos muito sozinhas”, reflete Meena, lamentando não terem podido compartilhar as alegrias e tristezas do passado como irmãs. Agora, o futuro promete uma conexão ainda mais profunda e a chance de compensar o tempo perdido.
Fonte: g1.globo.com