Alerta Demissão Silenciosa: Estudo Revela Como a Inteligência Artificial, Pós-ChatGPT, Encurta Carreiras de Profissionais Acima de 55 Anos e Bem Remunerados
Pesquisa do Center for Retirement Research do Boston College aponta que trabalhadores experientes em áreas de alta exposição à IA estão deixando empregos mais frequentemente, em um movimento de desemprego, não aposentadoria.
Um estudo recente do Center for Retirement Research (CRR) do Boston College lança luz sobre um fenômeno preocupante: a inteligência artificial (IA) está encurtando as carreiras de profissionais experientes e bem remunerados. Desde o lançamento do ChatGPT em novembro de 2022, trabalhadores com 55 anos ou mais, em profissões altamente expostas à IA, têm deixado seus empregos com uma frequência maior. O mais alarmante é que esse aumento se manifesta como desemprego, e não como aposentadoria, indicando que esses profissionais estão fora do mercado e ainda buscando recolocação.
Ameaça Invisível: IA e o Desemprego Sênior
A pesquisa, assinada pelo economista Geoffrey Sanzenbacher, cruza dados da Current Population Survey – um levantamento mensal do governo dos Estados Unidos para calcular o desemprego – com o índice de exposição à IA da Digital Planet Initiative, da Universidade Tufts. Este índice avalia o quanto as tarefas de uma profissão podem ser executadas por inteligência artificial, e não se a profissão será extinta. No topo da lista de exposição estão web designers, desenvolvedores web, arquitetos de banco de dados, programadores e cientistas de dados. Na outra ponta, com baixa exposição, figuram operadores de mineração, cuidadores e pintores.
Quem São os Mais Afetados pela Revolução da IA?
O estudo do CRR revela que os trabalhadores em profissões mais expostas à IA são majoritariamente brancos, têm mais do que o dobro de chance de possuir diploma universitário e desfrutam de salários significativamente mais altos, com uma média de US$ 1,4 mil por semana, em comparação com os US$ 869 de trabalhadores em profissões menos expostas. Antes da chegada do ChatGPT, esse grupo desfrutava de uma maior permanência no emprego, uma vantagem esperada para funções menos desgastantes fisicamente e mais bem remuneradas. Contudo, essa vantagem de carreira mais longa perdeu força após novembro de 2022. A taxa de saída do emprego entre os trabalhadores expostos à IA cresceu a ponto de reduzir a diferença que antes os favorecia.
Os números por profissão escancaram o impacto. Enquanto pintores, com baixa exposição, viram um aumento de cerca de 2% na taxa de saída do emprego, programadores – no topo da exposição – registraram um salto superior a 25%, com a taxa passando de 8,7% para 11,1%. Contadores e auditores também sofreram um aumento expressivo de 22%, de 9,9% para 12,1%.
Os Caminhos da IA: Substituição, Adaptação ou Oportunidade?
Sanzenbacher descreve três possíveis mecanismos para explicar o fenômeno. O primeiro é a substituição direta do trabalhador por automação, empurrando-o para o desemprego. O segundo é a pressão para aprender novas tecnologias, onde parte dos trabalhadores prefere deixar o emprego a se adaptar a um novo sistema perto do fim da carreira, um padrão já observado na popularização dos computadores pessoais. O terceiro caminho, na direção oposta, sugere que ganhos de produtividade poderiam elevar salários e permitir que o trabalhador se dedique a tarefas mais estratégicas, prolongando a carreira.
Apesar do potencial transformador, a adoção de IA generativa entre trabalhadores mais velhos ainda é baixa: apenas 18% dos profissionais entre 50 e 64 anos utilizam a tecnologia, uma taxa bem inferior à de trabalhadores na faixa dos 30 e 40 anos. Uma pesquisa da AARP complementa que, entre os profissionais acima de 55 anos, somente 18% veem a IA exclusivamente como oportunidade, enquanto 28% a enxergam apenas como ameaça, refletindo a complexidade do cenário atual.
Fonte: canaltech.com.br
