O neurocirurgião Leopoldo Luque, que chefiava a equipe médica responsável por Diego Maradona nos dias que antecederam sua morte em 2020, declarou-se inocente nesta quinta-feira (16) no julgamento na Argentina. Luque é um dos sete profissionais de saúde acusados de homicídio com dolo eventual, uma figura jurídica que implica a consciência de que suas ações poderiam levar à morte do paciente, e que prevê penas de até 25 anos de prisão.
O depoimento inesperado e a anulação anterior
“Sou inocente e lamento muito sua morte”, afirmou Luque, que surpreendeu ao solicitar depor de forma inesperada. Este é o primeiro testemunho no novo processo judicial pela morte de Maradona, após um julgamento anterior ter sido anulado no ano passado devido a um escândalo envolvendo uma juíza que autorizou um documentário clandestino do processo. O pedido de Luque levou à suspensão das outras testemunhas convocadas para o dia, incluindo Gianinna, filha de Maradona, por decisão do Ministério Público e das partes acusadoras.
A contestação dos laudos forenses
Durante seu depoimento, Luque refutou veementemente algumas das principais conclusões dos estudos forenses. O médico negou que Maradona tenha sofrido 12 horas de agonia antes de falecer. “Estou completamente seguro de que isso não aconteceu”, declarou. Ele também questionou outros aspectos da autópsia, como o elevado peso do coração do ex-jogador, argumentando que tal característica é comum em ex-atletas.
Questionamentos à perícia e ao papel médico
Luque também levantou dúvidas sobre a conclusão de que Maradona apresentava um edema agudo de pulmão. O neurocirurgião sugeriu que a reanimação do craque, a pedido da família, ocorreu após o falecimento. “O paciente é reanimado, param um segundo a reanimação porque sabiam que ele havia falecido e voltam a reanimá-lo a pedido da família. Reanimam um cadáver. Quem sabe o que isso gera em um cadáver?”, questionou. Ele ainda esclareceu que não foi o responsável pela cirurgia de hematoma na cabeça de Maradona e que também não era seu médico em 2007, período a partir do qual, segundo ele, o astro não recebeu mais medicamentos cardíacos. “Não venho dizer o que acho, venho dizer o que está escrito”, finalizou Luque, reiterando sua base em documentos e registros.
Fonte: jovempan.com.br
