O que antes era uma relação de proximidade e engajamento intenso, hoje se transformou em um distanciamento perceptível. Para Nelson Alves Júnior, uma figura proeminente na história do Xbox no Brasil, a Microsoft “tinha a faca e o queijo na mão” em solo brasileiro, mas não soube capitalizar a era de ouro de seu console. Ex-editor da Revista Oficial do Xbox no Brasil e ex-diretor do programa Inside Xbox, Alves Júnior avalia que a marca desfez um vínculo valioso com o público local, que antes era uma referência global.
O Apogeu do Xbox 360 no Brasil
O período do Xbox 360 é lembrado com nostalgia por Nelson Alves Júnior como o auge da relação da marca com a comunidade brasileira. Naquela época, o Inside Xbox produzia transmissões ao vivo da E3 diretamente para os jogadores do país, e o programa semanal era exibido na dashboard do console. A equipe local se dedicava a eventos presenciais com fãs e ao lançamento de edições especiais, como uma tiragem comemorativa dos 102 anos do Palmeiras. Além disso, a Microsoft investia em jogos legendados e dublados em português, uma prática ainda incomum no mercado da época, demonstrando um compromisso notável com a localização.
A Proposta Inovadora e a Mudança de Gestão
Antes do encerramento do Inside Xbox, a equipe brasileira chegou a propor uma ambiciosa reformulação: o programa semanal daria lugar ao “Xbox TV”, uma grade diária de conteúdo com vinhetas e programas temáticos. Segundo Alves Júnior, nem a operação internacional da Microsoft possuía algo semelhante. Contudo, a proposta foi rejeitada por uma nova equipe local de gestão. “Tenho a impressão que aquelas pessoas não enxergavam o conteúdo dessa forma, não viam a importância ou a necessidade de aquilo funcionar”, afirma Alves Júnior, apontando uma mudança na prioridade dada ao conteúdo regional.
O Distanciamento Atual e a Crítica Global
O contraste com o passado é gritante. Nelson Alves Júnior questiona a atual representação da marca no Brasil. “Nem sei quem cuida do Xbox aqui no Brasil, porque você não vê mais ninguém que se pronuncia, que dá a cara a tapa”, lamenta. A crítica se estende à estratégia global da Microsoft, que, segundo ele, parece desorganizada. “Compra estúdio, fecha estúdio, é uma bagunça, um negócio que parece feito na barrigada”, dispara. Para Alves Júnior, a Microsoft tinha um “sistema que funcionava, uma comunidade engajada, que era bem atendida”, mas hoje se tornou um “catado funcionando, sabe-se Deus até quando”, perdendo a oportunidade de manter uma liderança e um relacionamento sólido com seus fãs.
Fonte: canaltech.com.br
