A divisão de games da Microsoft, Xbox, está no centro de uma reestruturação sem precedentes. Asha Sharma, CEO da unidade, confirmou os rumores ao anunciar a demissão de mais de 3 mil funcionários até o final do ano fiscal de 2027, com um corte inicial de 1.600 pessoas já nesta segunda-feira (06). Em uma longa postagem na rede social X, a executiva justificou a medida como um “reset” essencial para a marca, que enfrenta margens de lucro significativamente abaixo da concorrência.
Sharma divulgou o mesmo e-mail enviado aos colaboradores, detalhando os desafios atuais da plataforma. Ela enfatizou que o Xbox tem operado com margens “entre 3 a 10 vezes mais baixas” que as de seus rivais, uma situação insustentável que exige mudanças drásticas. A aposta para o futuro inclui um foco intensificado no Game Pass, lançamentos multiplataformas e a expansão do portfólio de jogos.
A Crise por Trás do “Reset” do Xbox
Parte da culpa pela atual crise foi atribuída às aquisições realizadas nos últimos anos, muitas delas sob a gestão de Phil Spencer. “Nós agora nos vemos competindo não só com as maiores publishers, mas também com estúdios independentes menores. Não é nem possível, nem desejável adquirir cada grande estúdio indie”, declarou Sharma, sinalizando uma mudança de estratégia em relação ao crescimento via aquisições.
Estúdios Deixam o Guarda-Chuva Xbox
A reestruturação também impactará diretamente o Xbox Game Studios. A Compulsion Games, responsável por “South of Midnight”, e a Double Fine Productions, conhecida por “Psychonauts”, deixarão o grupo para retomar sua independência, mantendo seus portfólios integralmente. Já a Ninja Theory, desenvolvedora de “Hellblade”, e a Undead Labs, criadora de “State of Decay”, serão vendidas, mas seguirão trabalhando em seus projetos atuais.
Grandes nomes como Activision, Bethesda, Blizzard, King e Mojang também passarão por demissões, embora os números específicos não tenham sido revelados. No entanto, Asha Sharma assegurou que nenhum jogo first-party anunciado publicamente será cancelado. Mojang e King, que possuem as maiores bases de jogadores mensais da plataforma, agora responderão diretamente à CEO do Xbox, indicando a importância estratégica desses estúdios para a nova fase da empresa.
Menos Burocracia, Mais Eficiência
O “reset” do Xbox visa ainda eliminar a burocracia e agilizar as tomadas de decisão internas. Sharma revelou que as equipes cresceram 40% desde o início da atual geração de consoles, enquanto a base de jogadores diminuía. Para reverter esse cenário, as 14 camadas de gestão existentes foram reduzidas para cinco e, “onde possível, três”, buscando diminuir o tempo necessário para implementar novas estratégias e inovações.
Enquanto a marca Xbox atravessa esta reestruturação histórica e desafiadora, Asha Sharma já reconheceu publicamente ter cometido erros, um sinal da complexidade da tarefa de realinhar a gigante dos games com as expectativas do mercado e dos acionistas.
Fonte: canaltech.com.br
