Novas imagens e documentos revelam conexões de Omar al-Bayoumi com figuras-chave da al-Qaeda e funcionários sauditas, levantando dúvidas sobre a investigação oficial.
Novos vídeos e evidências, que estavam em posse do FBI desde os dias seguintes aos ataques de 11 de setembro de 2001, contradizem as negativas de Omar al-Bayoumi, que por 25 anos sustentou não ter envolvimento com extremismo ou com o governo saudita. As imagens, agora tornadas públicas através de um processo judicial movido pelas famílias das vítimas contra a Arábia Saudita, sugerem um papel mais ativo de Bayoumi na preparação dos ataques.
Um dos vídeos mostra Bayoumi abraçando Anwar al-Awlaki, que viria a liderar a al-Qaeda na Península Arábica. Em outra gravação, ambos aparecem jogando paintball perto de San Diego na companhia de um funcionário do Ministério dos Assuntos Islâmicos da Arábia Saudita. Essas evidências, que nunca haviam sido exibidas publicamente, fazem parte da ação que alega a cumplicidade saudita nos ataques, com Bayoumi supostamente auxiliando dois dos 19 sequestradores.
Diagrama de avião e atividades de ‘treinamento para a jihad’ sob escrutínio
Omar al-Bayoumi, que se apresentava como estudante nos EUA, foi preso no Reino Unido poucos dias após os atentados. Entre seus pertences, a polícia encontrou um diagrama de um avião com cálculos matemáticos sobre a descida de voo. Embora cópias do diagrama tenham chegado ao FBI, a informação não foi compartilhada com os investigadores britânicos que interrogavam Bayoumi, e o documento também foi omitido de algumas investigações internas do FBI e da Comissão do 11 de Setembro. Bayoumi, que sempre negou qualquer envolvimento, jamais foi processado.
Outro ponto de atenção são as sessões de paintball entre Bayoumi e Awlaki, que ocorreram por pelo menos três anos no final da década de 1990. Agentes do FBI foram informados que essas atividades eram usadas como treinamento para a jihad. Apesar das ligações de Awlaki com a al-Qaeda na época, ele só ganhou notoriedade após o 11 de Setembro.
Obstáculos na investigação e questionamentos sobre a omissão de provas
A investigação sobre Bayoumi enfrentou diversos obstáculos. Agentes do FBI em San Diego solicitaram repetidamente cópias de evidências cruciais apreendidas no Reino Unido, mas não as receberam. Da mesma forma, foram impedidos de entrevistar contatos de Bayoumi ligados ao governo saudita. A Comissão do 11 de Setembro, em seu relatório, chegou a considerar improvável o envolvimento de Bayoumi com extremistas, uma conclusão que gerou discordância entre alguns de seus membros.
Um ex-funcionário do Departamento de Justiça dos EUA declarou à BBC que o diagrama do avião seria uma evidência forte o suficiente para condenar alguém por menos do que o alegado contra Bayoumi. A ausência de um processo formal contra ele, apesar das evidências coletadas, e a falta de investigação completa sobre o suposto papel da Arábia Saudita continuam sendo pontos centrais de questionamento após 25 anos.
Arábia Saudita e FBI negam envolvimento e se recusam a comentar
Nem Omar al-Bayoumi nem o governo saudita responderam aos pedidos de comentário da BBC. Ambos sempre negaram qualquer envolvimento ou conhecimento prévio dos ataques. O FBI também declarou que não se pronunciará sobre o caso. A liberação de milhares de documentos, vídeos e fotografias ao tribunal, após uma ordem executiva do ex-presidente Joe Biden em 2018, permitiu que a BBC aprofundasse sua investigação sobre as evidências que nunca foram totalmente exploradas.
Fonte: g1.globo.com
