UE cobra EUA a cumprirem acordo comercial após novas tarifas de Trump sobre produtos brasileiros

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União Europeia pede cumprimento de acordo comercial

A União Europeia (UE) expressou nesta sexta-feira (24) a expectativa de que os Estados Unidos honrem integralmente o acordo comercial vigente desde 1º de julho. A cobrança surge após o governo de Donald Trump anunciar novas tarifas sobre produtos importados, sob a justificativa de combater o trabalho forçado em cadeias produtivas globais.

Novas tarifas americanas impactam o Brasil

A medida dos EUA, que impõe uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros e de outros parceiros comerciais, pode elevar a carga tarifária sobre alguns itens exportados pelo Brasil a até 37,5%. Esta ação se soma a tarifas já anunciadas na semana anterior.

UE já cumpriu sua parte no acordo

Em comunicado, um porta-voz da Comissão Europeia declarou que o bloco já cumpriu seus compromissos previstos no acordo comercial com Washington e que manterá o diálogo com a administração americana. “A UE já cumpriu a sua parte do acordo. Continuaremos a dialogar com a administração dos EUA para garantir que os EUA cumpram integralmente os seus compromissos”, afirmou o representante.

Contexto do acordo e questionamentos sobre a justificativa dos EUA

A cobrança da UE ocorre pouco mais de um mês após o Parlamento Europeu aprovar a redução de tarifas em diversos produtos americanos, cumprindo sua parte em um acordo firmado no ano passado. Pelo entendimento, a UE concordou em eliminar tarifas sobre bens industriais dos EUA e ampliar o acesso de produtos agrícolas americanos ao seu mercado. Em contrapartida, os EUA mantiveram tarifas sobre a maioria dos bens exportados pelo bloco. A investigação americana que fundamenta as novas tarifas, conduzida pelo USTR, concluiu que diversos países não possuem mecanismos suficientes para impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado. No entanto, especialistas e autoridades internacionais contestam essa justificativa, apontando a falta de casos concretos de produtos brasileiros com trabalho forçado identificados no mercado americano e o fato de setores como pecuária e cafeicultura terem ficado fora das principais sobretaxas. Dados da fundação Walk Free indicam que os próprios EUA lideram o ranking mundial de importações com risco de trabalho forçado, movimentando cerca de US$ 169,6 bilhões anualmente, enquanto o Brasil aparece com aproximadamente US$ 5,6 bilhões em 2023.

Estratégia comercial dos EUA sob Trump

Analistas sugerem que a ofensiva comercial americana também visa ampliar instrumentos de pressão sobre parceiros econômicos, reorganizar cadeias globais de produção, proteger a indústria nacional e aumentar a pressão sobre a China e outros concorrentes comerciais.

Fonte: g1.globo.com

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