O Fim dos Estereótipos: Uma Nova Geração de Viajantes
Curitiba (PR) – A 30ª Expo Turismo Paraná, realizada no Viasoft Experience, foi palco de discussões relevantes sobre o futuro do setor. Uma das palestras mais aguardadas, ministrada pelo consultor Ariel Figueroa, especialista no segmento 60+, desmistificou a imagem tradicional do turista sênior. Segundo Figueroa, este público deixou de ser associado apenas a viagens casuais e excursões simples. Atualmente, pessoas com mais de 60 anos representam um dos nichos mais ativos, exigentes e promissores do mercado turístico brasileiro.
Figueroa destacou que o aumento da longevidade, os avanços tecnológicos e as mudanças de comportamento transformaram profundamente a vida dos brasileiros acima de 60 anos. Ele criticou a persistência de estereótipos ultrapassados no mercado, enfatizando que essa geração é cada vez mais ativa, conectada e ávida por novas experiências. Dados recentes, como os da Fundação Seade em São Paulo, apontam para um aumento significativo na prática de atividades físicas entre idosos, evidenciando um estilo de vida mais dinâmico.
A Busca por Significado e Conexão Emocional
“O público acima de 60 anos já viveu muita coisa. Não quer mais apenas praia, descanso e um roteiro básico. Eles procuram propósito”, afirmou o palestrante. A essência da viagem para o turista sênior moderno transcende o mero lazer; busca-se significado e conexão emocional. A motivação para investir tempo e dinheiro em uma viagem deve ir além do óbvio, com o desejo de retornar transformado pela experiência vivida.
O Brasil vive uma mudança demográfica expressiva, com o envelhecimento da população se tornando uma realidade. Dados do IBGE de 2022 indicam que 32,1 milhões de brasileiros tinham 60 anos ou mais, representando 15,6% da população. Para Figueroa, quando adequadamente atendido, esse segmento tem potencial para realizar até quatro viagens anuais, combinando férias mais longas com escapadas curtas e viagens de fim de semana.
Personalização e Diversidade de Interesses
A palestra também ressaltou a importância da fidelização através de produtos personalizados e atendimento de qualidade. Figueroa criticou a visão limitada que ainda associa pessoas maduras a roteiros monótonos. “Essa geração escuta música atual, frequenta academia e busca vivências diferentes. Aquele conceito de velhice passiva já não existe mais”, comentou.
O segmento 60+ abrange uma ampla gama de interesses, com crescente demanda por turismo cultural, religioso, de aventura, bem-estar e até mesmo roteiros voltados ao desenvolvimento humano. O conceito de “slow travel”, que prioriza experiências profundas e autênticas, ganha força. Viagens ligadas à memória afetiva, como revisitar locais marcantes, e o turismo multigeracional, especialmente entre avós e netos, também se destacam como tendências com forte apelo emocional.
O Futuro do Turismo Sênior: Personalização e Propósito
Na esfera da comunicação e vendas, Figueroa apontou que muitos profissionais ainda erram ao oferecer pacotes genéricos, falhando em compreender o perfil do cliente. O futuro do turismo sênior, segundo ele, reside na personalização. “O agente de viagens precisa ouvir mais e vender menos no automático. Esse público sabe exatamente o que quer e valoriza atendimento de qualidade”, defendeu.
Em suma, o turismo 60+ não é apenas uma tendência passageira, mas uma transformação definitiva do mercado. O envelhecimento da população brasileira, aliado ao desejo por experiências significativas, abre novas e importantes oportunidades. O setor, de agências a destinos, precisará focar na criação de produtos com propósito, personalização e uma forte conexão humana para atender a essa geração cada vez mais influente.
Fonte: revistahoteis.com.br
