Sebrae Expede na Floresta Amazônica e Revela o Potencial do Empreendedorismo Indígena Ticuna
Imersão em Benjamin Constant, no Alto Solimões, destaca o protagonismo feminino e um modelo de negócios que une tradição, floresta e mercado.
Em meio à exuberante e desafiadora paisagem amazônica, no extremo do Amazonas, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) realizou uma expedição que desvendou a força do empreendedorismo indígena. No município de Benjamin Constant, localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, o saber ancestral do povo Ticuna transforma a matéria-prima da floresta em produtos de alto valor cultural e econômico. A iniciativa, focada em conhecer, reconhecer e impulsionar esses empreendedores, revelou um modelo de negócios baseado na sociobioeconomia, onde tradição e sustentabilidade caminham juntas.
O Protagonismo das Mulheres Artesãs Ticuna
A expedição do Sebrae em Benjamin Constant, município predominantemente indígena e com cerca de 90% de suas 66 comunidades rurais dependendo do artesanato como principal fonte de renda, destacou o papel fundamental das mulheres. Na comunidade Bom Caminho, a equipe conheceu de perto o trabalho da AMATU (Associação das Mulheres Artesãs Ticunas). Composta por aproximadamente 200 mulheres formalizadas, a associação transforma saberes ancestrais em produtos com valor de mercado, como cestos, luminárias e biojoias, feitos a partir de fibras como o arumã. Este trabalho não apenas gera renda, mas também preserva a identidade cultural e fortalece a economia local.
Da Floresta ao Mercado: Um Ciclo Sustentável
O processo produtivo do artesanato Ticuna é um exemplo de conexão profunda com a natureza. A extração da matéria-prima, como o arumã, exige longas jornadas na mata, enfrentando desafios naturais e um manejo cuidadoso para garantir a reposição. Esse cuidado demonstra um conhecimento tradicional passado por gerações, posicionando os artesãos como verdadeiros guardiões da floresta. A aquisição de um produto Ticuna transcende a compra de um item artesanal; é um ato de contribuição direta para a preservação ambiental e a continuidade de um modo de vida único.
Sebrae: Mais de uma Década de Apoio e Inovação
A atuação do Sebrae no Alto Solimões não é recente. Há mais de uma década, a instituição trabalha junto ao povo Ticuna, estruturando o setor por meio de capacitação, gestão, inovação e acesso a mercados. Benjamin Constant foi identificado como um polo de artesanato a partir de mapeamentos realizados desde 2014. Hoje, os artesãos locais estão cadastrados no Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab), participam de feiras nacionais e têm seus produtos reconhecidos internacionalmente. O próximo passo ambicioso é o reconhecimento por Indicação Geográfica (IG), um selo que valoriza a autenticidade e o saber fazer único do artesanato Ticuna.
Um Futuro Conectado e Valorizado
O Sebrae reforça a importância de visibilizar a riqueza cultural e histórica do Brasil, como destacou Felipe Damo, gerente nacional de Comunicação do Sebrae. A iniciativa faz parte de um movimento maior de mergulho na brasilidade, conectando o Brasil real ao mercado. Histórias como a de Rosa Chota Davilla, presidente da Amatu e premiada artesã, exemplificam o impacto desse apoio. Ela ressalta a importância do Sebrae e da Prefeitura para o fortalecimento da atividade, que é a principal fonte de renda e instrumento de autonomia para centenas de famílias. O município se prepara para um evento estratégico, a rodada de negócios “Encontro para tecer negócios”, que visa aproximar produtores de compradores e investidores, transformando visibilidade em geração de renda e ampliando o alcance de um trabalho que carrega história e identidade.
Fonte: agenciasebrae.com.br
