O que é o “Safári Humano”?
Moradores e organizações de direitos humanos relatam uma nova e cruel tática empregada pelas forças russas na região de Kherson, no sul da Ucrânia: o chamado “safári humano”. Essa prática consiste na perseguição e ataque intencional a civis por meio de drones. Ao contrário de bombardeios indiscriminados, os operadores utilizam equipamentos com visão em primeira pessoa (FPV) para identificar e atingir alvos não militares, como vendedores ambulantes, ciclistas e até mesmo ambulâncias, transformando a busca por suprimentos ou a fuga em um ato de terror.
Como Funcionam os Drones Utilizados?
Os drones FPV, pequenos e ágeis, são a ferramenta principal dessa estratégia. Eles transmitem imagens em tempo real para os operadores, permitindo manobras precisas e a capacidade de carregar granadas ou minas. Sua agilidade possibilita que voem entre edifícios e sigam veículos, e podem permanecer em espera em telhados para economizar bateria até que um alvo humano surja. Crucialmente, a câmera permite ao operador verificar se a pessoa no chão está desarmada ou sem uniforme antes de decidir por um ataque, indicando a deliberada escolha de civis como alvos.
Kherson: Um Alvo Estratégico para o Terror
A escolha de Kherson como epicentro dessa prática não é aleatória. A cidade, localizada às margens do rio Dnieper, tem as forças russas posicionadas a poucos quilômetros do outro lado do rio. Essa proximidade geográfica facilita o alcance rápido de drones de curto alcance a áreas residenciais. Desde o início de 2024, esses ataques se tornaram rotineiros, dificultando severamente a entrega de ajuda humanitária, como alimentos e medicamentos, e forçando os moradores a um isolamento forçado por medo de serem alvejados ao sair de suas casas.
Possível Crime de Guerra sob o Direito Internacional
A natureza deliberada e a repetição desses ataques levantam sérias preocupações sobre a legalidade sob o direito internacional. Leis de guerra proíbem explicitamente ataques contra civis e exigem que as forças militares distingam entre combatentes e não combatentes. Organizações como a Human Rights Watch e comissões da ONU já apontam que a recorrência dessas ações sugere uma estratégia calculada para instilar medo na população civil. Ataques que resultam em mortes e ferimentos de civis de forma repetida e em larga escala podem ser classificados como crimes de guerra e, em casos extremos, crimes contra a humanidade.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
