Resorts Simulam Impacto da Escala 5×2 em Serviços e Custos: Setor Busca Flexibilidade em Meio a Mercado Aquecido

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Resorts Avaliam Mudanças na Escala de Trabalho

O setor de resorts está em processo de simulação dos impactos da possível adoção da escala 5×2 sobre a organização das equipes e a prestação de serviços. A discussão surge em um cenário de alta ocupação no mercado de trabalho brasileiro, que, paradoxalmente, intensifica a disputa por profissionais. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego revelam que 52% dos trabalhadores de alojamento operam em escala 6×1, um índice significativamente maior que a média geral da economia (33,2%).

Thiago Borges, presidente da Resorts Brasil, ressalta a importância de modernizar as jornadas de trabalho, mas defende flexibilidade. “É legítimo buscar jornadas que proporcionem mais qualidade de vida aos profissionais. O que defendemos é que uma transformação desse tamanho seja construída ouvindo também os setores que precisarão implementá-la. Reduzir a jornada é uma discussão; determinar um único modelo de escala para atividades com características completamente diferentes é outra e tem um impacto enorme na operação e nos custos das empresas”, afirma.

Mercado de Trabalho Aquecido Desafia a Transição

O Brasil atravessa um período de pleno emprego, com a taxa de desemprego em seu menor patamar histórico, segundo dados do trimestre encerrado em julho de 2026. Esse cenário, embora positivo, aumenta a movimentação de profissionais entre empresas e setores, complicando a atração e retenção de mão de obra. Laini Melo, Vice-presidente de Inteligência Humana da Resorts Brasil, destaca a complexidade da situação: “Já temos hoje um desafio importante de atração de profissionais. Se uma mudança de escala ampliar significativamente a necessidade de pessoas, não basta fazer a conta de quantas novas vagas serão criadas. Precisamos considerar se esses profissionais estarão disponíveis no mercado, quanto tempo levará para formá-los e, principalmente, como vamos conseguir atraí-los e retê-los”.

Simulações e Ajustes Operacionais em Curso

Empresas do setor já iniciaram estudos para entender como a nova escala poderia ser integrada às operações. O Grupo Aviva, por exemplo, avalia hipóteses como o redesenho de escalas e processos, alterações nos dias de funcionamento de atrações e mudanças na frequência de serviços como a limpeza de apartamentos. “O exercício é justamente entender o que seria necessário para preservar a qualidade da experiência e, ao mesmo tempo, tornar uma nova jornada operacionalmente possível”, explica Laini Melo.

Felipe de Castro, Vice-presidente de Operações da Resorts Brasil, aponta a complexidade inerente à gestão de escalas em resorts, que operam 24/7 e precisam considerar múltiplos turnos, picos de ocupação e regras específicas de descanso, como o repouso dominical feminino. “Não é simplesmente trocar 6×1 por 5×2 em uma planilha. Precisamos garantir que haverá pessoas suficientes em cada área e em cada turno para manter a operação funcionando e ainda fazer com que o custo se encaixe dentro da operação”, detalha.

Custos e a Busca por Equilíbrio

A pressão sobre os custos é outro ponto crucial. Estudos indicam que gastos com pessoal representam 23,2% da receita operacional líquida do turismo. Antonio Dias, Vice-presidente Institucional da Resorts Brasil, alerta que a redução da jornada sem mecanismos de compensação pode impactar significativamente as margens, os preços dos serviços e, consequentemente, a demanda e os investimentos. O setor defende uma transição responsável, com negociação, tratamento adequado às atividades de operação contínua e medidas para mitigar o impacto na folha de pagamento, preservando emprego formal, competitividade e capacidade de investimento.

A Resorts Brasil busca um caminho de equilíbrio, avançando na discussão das 40 horas semanais e, ao mesmo tempo, preservando flexibilidade para setores de funcionamento contínuo. O objetivo é construir um modelo que beneficie os trabalhadores e seja operacionalmente viável para as empresas, garantindo a sustentabilidade econômica do setor e a atratividade da hotelaria como carreira.

Fonte: revistahoteis.com.br

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