A história do futebol suíço em Copas do Mundo guarda um recorde que, por mais de sete décadas, permanece intocado. O atacante Josef “Sepp” Hügi é o maior artilheiro da seleção suíça na história dos Mundiais, com a impressionante marca de seis gols. O mais notável é que Hügi alcançou esse feito em uma única edição do torneio: a Copa do Mundo de 1954, disputada em casa.
Jogando diante de sua própria torcida, Hügi cravou seu nome no almanaque do futebol mundial e, desde então, nenhum outro jogador suíço conseguiu superá-lo, nem mesmo a elogiada geração recente que devolveu o país ao cenário de protagonismo europeu.
O Recorde Insuperável de Josef Hügi
Josef Hügi construiu sua artilharia aproveitando o formato altamente ofensivo do futebol da década de 1950. O atacante, que se tornou um ídolo histórico do FC Basel, iniciou sua contagem marcando o gol da vitória por 2 a 1 na estreia contra a Itália. Dias depois, em um jogo extra de desempate válido pela fase de grupos, ele voltou a castigar a defesa italiana com mais dois gols na goleada por 4 a 1.
A consolidação definitiva do recorde ocorreu nas quartas de final, na famosa Batalha de Lausanne. No confronto eliminatório contra a Áustria, que entrou para as estatísticas oficiais da Fifa como o jogo com mais gols em todas as edições do torneio, a Suíça acabou derrotada por 7 a 5. Apesar da eliminação suíça, Hügi marcou um “hat-trick” na partida, carimbando seu sexto gol no Mundial e cimentando a liderança absoluta na artilharia do país.
Os Maiores Artilheiros Suíços em Mundiais
Abaixo de Josef Hügi, a relação oficial dos artilheiros engloba atletas de diferentes épocas, com forte presença da elogiada geração recente:
- Josef Hügi (6 gols): O dono da marca máxima anotou todos os seus seis gols na Copa de 1954. Sua média exata de dois gols por partida disputada figura até hoje como uma das mais altas de toda a história da competição.
- Xherdan Shaqiri (5 gols): O meia-atacante é a principal referência contemporânea da seleção. Ele teve o mérito de balançar as redes em três edições consecutivas do torneio: fez três gols em um único jogo contra Honduras em 2014, anotou contra a Sérvia em 2018 e deixou mais um tento na edição de 2022, no Catar.
- André Abegglen (4 gols): Destaque da seleção no período pré-Segunda Guerra Mundial, Abegglen marcou um gol no torneio de 1934 e teve seu ápice técnico na edição de 1938, realizada na França. O atacante marcou três gols contra a Alemanha, desempenho que assegurou a classificação suíça para a segunda fase daquele ano.
- Robert Ballaman (4 gols): Parceiro de ataque de Hügi durante a campanha de 1954, Ballaman manteve um nível de rendimento letal ao lado do companheiro. Ele também deixou quatro gols na mesma edição, sendo peça crucial para que o time da casa avançasse no torneio com alto volume ofensivo.
O Legado de Hügi e o Futuro da Artilharia
O posto de Josef Hügi permaneceu sob ameaça real ao longo da última década devido à pontaria afiada de Xherdan Shaqiri nos grandes torneios internacionais. No entanto, após a eliminação da Suíça na Eurocopa de 2024, Shaqiri anunciou a aposentadoria oficial da seleção nacional. Com o fim do seu ciclo com a camisa vermelha, o recorde de 1954 recuperou uma margem segura de isolamento.
Atualmente, o atleta em atividade com as melhores credenciais para escalar o ranking é o centroavante Breel Embolo. Figura carimbada no sistema ofensivo europeu, Embolo acumula no momento dois gols em Copas do Mundo, ambos anotados durante os confrontos da fase de grupos de 2022, contra as seleções de Camarões e Sérvia.
Embora o futebol suíço tenha alcançado estabilidade para avançar às fases de mata-mata com extrema regularidade em torneios da Fifa e da Uefa, a produção de uma campanha ofensiva fulminante, capaz de igualar os números gerados pela lenda do Basel há mais de sete décadas, permanece como o grande tabu da equipe na atualidade.
Fonte: jovempan.com.br
