Quem é Nadia Marcinko, a ex-namorada de Jeffrey Epstein apontada como cúmplice e que alega ser vítima com imunidade

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Nadia Marcinko: A Ex-Namorada de Epstein no Centro de Nova Investigação

Nadia Marcinko, uma figura até então pouco conhecida do público, pode em breve se tornar o centro das atenções nos Estados Unidos. Ela é uma das quatro mulheres apontadas como “potenciais co-conspiradoras” de Jeffrey Epstein em um acordo judicial de 2008 que lhes concedeu imunidade de acusação. Agora, uma congressista americana busca reabrir a investigação sobre seu papel, mesmo com o acordo em vigor.

O Acordo de Imunidade e as Alegações de Vítima

Marcinko, juntamente com outras três assistentes de Epstein – Sarah Kellen, Lesley Groff e Adriana Ross –, foi incluída em um acordo judicial que as protegia de acusações. No entanto, a congressista Anna Paulina Luna expressou o desejo de que todas as quatro sejam investigadas, argumentando que elas se envolveram no tráfico de menores. Os advogados de Marcinko afirmam que ela é, na verdade, uma vítima de Epstein. Relatos de jovens em Palm Beach, cujos depoimentos levaram à condenação de Epstein em 2008, indicam que Marcinko teria participado de abusos quando eram menores de idade.

E-mails Revelam Relação Complexa e Coercitiva

Uma investigação da BBC, baseada em entrevistas e e-mails trocados entre Marcinko e Epstein, sugere um relacionamento multifacetado. Os e-mails indicam que o casal planejava ter filhos juntos e que Epstein teria pedido repetidamente a Marcinko que recrutasse outras mulheres para satisfazer seus desejos sexuais, com a aparente concordância dela. Contudo, as mensagens também expõem a natureza coercitiva de Epstein. Marcinko relatou a investigadores que ele era fisicamente violento, chegando a sufocá-la e jogá-la escada abaixo. Apesar de Marcinko ter sido descrita como tímida, os e-mails revelam uma dinâmica de controle por parte de Epstein, que ditava aspectos de sua vida, incluindo sua dieta, hábitos de leitura e até mesmo a decoração de sua casa.

Do Início da Relação à Independência como Piloto

Nascida Nadia Marcinkova na Eslováquia, ela conheceu Epstein em Nova York em 2003, aos 18 anos, em uma festa organizada por Jean-Luc Brunel, amigo de Epstein e diretor de uma agência de modelos. Marcinko, que trabalhava para a agência em Paris, foi trazida para os EUA com um visto providenciado por Brunel. Pouco tempo depois, Epstein a levou para sua ilha particular, Little St. James. Apesar do grande desequilíbrio de poder, idade e riqueza, Marcinko viajou constantemente com Epstein, e os e-mails indicam que eles rapidamente se tornaram um casal. No entanto, a dependência de Marcinko de Epstein era notável. Em 2009, ela começou a buscar independência financeira, treinando para se tornar piloto com o apoio financeiro de Epstein. Ela se destacou na aviação, atuando como piloto e promovendo-se como “Global Girl”.

O Papel de Recrutadora e a Separação

Apesar de buscar independência, Marcinko manteve seu papel de recrutadora para Epstein. E-mails de 2006 e 2010 indicam que ela procurava mulheres para ele, embora não haja evidências nos arquivos de que ela tenha apresentado menores de idade. O recrutamento de adultos para fins de exploração sexual pode configurar tráfico. Em 2010, o relacionamento com Epstein terminou após um episódio de violência extrema. Marcinko relatou que, no ano seguinte, obteve um visto de trabalho independente através de sua carreira na aviação. No entanto, a relação com Epstein continuou, com ela atuando como copiloto em voos para sua ilha até 2015, ano em que Epstein concordou em dobrar sua renda de outras fontes.

Cooperação com o FBI e o Desaparecimento da Vida Pública

Em 2018, Marcinko começou a cooperar com o FBI em uma investigação. No ano seguinte, Epstein foi preso novamente. Em troca de sua cooperação, o FBI apoiou o pedido de permanência de Marcinko nos EUA após o término de seu visto em 2022, com a agência afirmando que ela foi “recrutada, abrigada e obtida por Jeffrey Epstein e outros para fins de uma relação sexual coercitiva”. Desde então, Marcinko desapareceu da vida pública, dedicando-se à sua cura e expressando o desejo de falar sobre sua experiência como vítima. A questão sobre se uma vítima de coerção sexual também pode ser considerada cúmplice continua a ser um ponto de debate legal complexo.

Fonte: g1.globo.com

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