Premiê da Espanha culpa Rússia e Israel por onda migratória em Ceuta via desinformação

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Crise Migratória em Ceuta: Espanha Aponta Rússia e Israel na Difusão de Desinformação

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, atribuiu a recente crise migratória em Ceuta, que viu dezenas de milhares de imigrantes chegarem ao território espanhol em julho, a uma campanha de desinformação orquestrada por redes russas e israelenses. Segundo Sánchez, essas ações teriam induzido os migrantes a acreditarem em falsas promessas de permanência na Espanha, incentivando a perigosa travessia.

Marrocos Exonerado de Culpa Direta por Desinformação

Em contrapartida, Sánchez isentou o Marrocos de qualquer responsabilidade na disseminação dessas informações enganosas. Ele enfatizou a necessidade de cooperação com o país vizinho para resolver a crise, rejeitando categoricamente as especulações sobre a conivência das autoridades marroquinas. Mais de 72 mil pessoas atravessaram irregularmente do Marrocos para Ceuta em um período de 48 horas, em um dos maiores fluxos já registrados na fronteira entre a África e a União Europeia. A tragédia resultou na morte de ao menos 100 pessoas.

Investigação Espanhola Indica Envolvimento de Redes Estrangeiras

Uma investigação conduzida pelo Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE) teria apontado para a participação de redes russas e israelenses, em colaboração com grupos de extrema-direita, na propagação de vídeos e alegações falsas nas redes sociais. Sánchez sugeriu que a Rússia e Israel teriam usado a crise migratória como forma de criticar a Espanha, possivelmente em retaliação à sua posição em conflitos como a guerra na Ucrânia e a situação em Gaza. No entanto, o premiê espanhol não apresentou detalhes específicos sobre as evidências que sustentam essas acusações.

Reações de Israel e Rússia: Negação e Acusações de Mentira

Tanto Israel quanto a Rússia refutaram veementemente as alegações espanholas. O Ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, classificou a acusação como uma “mentira descarada” e uma tentativa de Sánchez de desviar o foco de seus próprios fracassos políticos internos. Do lado russo, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, também negou qualquer envolvimento na crise migratória de Ceuta.

Hipóteses sobre o Papel do Marrocos e Tensões na UE

À época da crise, surgiram hipóteses que sugeriam uma possível permissividade do Marrocos em não conter o fluxo migratório. Essas teorias foram ligadas a disputas territoriais sobre o Saara Ocidental e às ambições marroquinas sobre os enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla. A crise intensificou as tensões dentro da União Europeia sobre a gestão migratória, levando países como a Itália a impor controles de fronteira com a Espanha. Atualmente, cerca de 5 mil migrantes permanecem em Ceuta, muitos em condições precárias, gerando descontentamento entre os moradores locais e debates políticos acirrados sobre o destino dessas pessoas.

Fonte: g1.globo.com

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