Chamado à Solidariedade no Principado
Em uma visita histórica ao microestado de Mônaco, conhecido por sua alta concentração de bilionários e por ser um paraíso fiscal, o Papa Leão XIV fez um forte apelo à partilha de riquezas. Durante seu percurso pelo principado da Riviera Francesa, o pontífice enfatizou a necessidade de que os mais abastados estendam a mão aos que mais precisam. “Aos olhos de Deus, nada é recebido em vão!”, declarou o Papa Leão XIV, reforçando que “todo bem colocado em nossas mãos traz consigo a necessidade de não ser retido, mas compartilhado, para que a vida de todos possa ser melhor.”
Um Papa em Terra de Riqueza e Influência
A visita de Leão XIV a Mônaco é a primeira de um papa ao rico enclave mediterrâneo em quase cinco séculos. Segundo o Vaticano, a viagem visa demonstrar que países de menor porte podem exercer uma influência significativa no cenário global. O pontífice, que chegou de helicóptero após um voo de 90 minutos a partir do Vaticano, foi recebido pelo Príncipe Albert II. Como gesto simbólico, o Papa presenteou o chefe de Estado com uma obra de arte do Vaticano retratando São Francisco de Assis, conhecido por ter renunciado à sua herança para viver em pobreza e ajudar os menos afortunados.
Mensagem de Paz e Defesa da Vida
Apesar da expectativa de que o pontífice pudesse atuar na mediação de tensões globais, especialmente diante do conflito envolvendo o Irã, a agenda do Papa em Mônaco foi marcada pela diplomacia e pela tradição. Em seu discurso na residência oficial do príncipe, Leão XIV incentivou os monegascos a “colocar sua prosperidade a serviço da lei e da justiça”. Em um encontro com a comunidade católica local, o Papa também expressou apoio à decisão do Príncipe Albert II de vetar, no ano passado, um projeto de lei que previa a legalização do aborto, tema amplamente contestado pela Igreja Católica. Leão XIV conclamou os fiéis a continuarem se manifestando “em defesa da pessoa humana”.
Agenda Internacional e o Novo Papa
O Papa Leão XIV, o primeiro papa norte-americano, eleito em maio para suceder o Papa Francisco, tem dado início a uma agenda internacional intensa. A visita a Mônaco é a segunda fora da Itália desde sua eleição. Aos 70 anos e com boa saúde, o pontífice tem planos de visitar quatro países africanos em abril e a Espanha em junho. A viagem a Mônaco, embora com um público relativamente reduzido e um percurso em papamóvel aberto pelas ruas do pequeno país de 2,08 km², ressalta o papel da Igreja Católica e a influência de seus líderes, mesmo em locais de imensa riqueza.
Fonte: g1.globo.com
