Panorama da Hotelaria Brasileira: Juros Altos e Restrição de Crédito Limitam Novos Desenvolvimentos até 2030

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Cenário Macroeconômico Desafiador Impacta o Setor

O panorama macroeconômico brasileiro apresenta desafios significativos que afetam diretamente o setor hoteleiro. Cristiano Vasques, Sócio-diretor da HotelInvest, destacou durante sua apresentação no VIII Fórum Nacional de Hotelaria (FNH) que o cenário fiscal permanece complicado, com juros elevados e pouca margem para cortes. Essa conjuntura pressiona a dívida e o risco, enquanto a inflação persistente limita a flexibilização monetária, criando um ambiente de incerteza.

Estabilidade na Ocupação e Desaceleração da Diária Média

No que diz respeito à hotelaria, a ocupação tem se mantido estável nos últimos três anos. No entanto, a diária média, após um período de recuperação, começa a apresentar sinais de desaceleração, indicando um amadurecimento do ciclo. Em contrapartida, o segmento de resorts registrou um crescimento real de quase 5% acima da inflação no primeiro semestre de 2026. Já o mercado de aluguel de curta temporada (STR) em São Paulo, após um crescimento expressivo de 182% entre 2023 e 2025, projeta um crescimento mais modesto para os próximos anos, competindo principalmente com a hotelaria econômica.

Restrições Financeiras e Baixa Atratividade para Novos Projetos

As perspectivas para o desenvolvimento de novos empreendimentos hoteleiros enfrentam obstáculos consideráveis. Vasques ressaltou que os juros elevados, a restrição de financiamento e os custos de construção pressionados diminuem a atratividade para novos projetos. Essa situação leva os desenvolvedores a se envolverem mais diretamente na estruturação, utilizando capital próprio em conjunto com financiamentos, que se tornam mais difíceis de obter. A tendência é de poucos projetos em desenvolvimento, com condições financeiras adversas mantendo a oferta restrita, possivelmente até 2030, o que limita a pressão competitiva no mercado.

Projeções para 2027 e o Futuro da Oferta Hoteleira

Para 2027, o cenário-base aponta para uma ocupação estável, com um crescimento real modesto na diária média. Isso resultaria em uma expansão real do RevPAR (Receita por Quarto Disponível) em comparação com 2026. A estabilização da demanda, segundo Vasques, está condicionada ao cenário macroeconômico, e a próxima fase do ciclo dependerá do ritmo de expansão da oferta. A incerteza fiscal e política continuará a manter condições financeiras restritivas, e os efeitos de possíveis mudanças políticas, como as após uma eleição, devem ocorrer de forma gradual.

Fonte: revistahoteis.com.br

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