O Filme de Nolan é um Clássico? Entenda o que Define uma Obra Atemporal e Seus Filmes se Encaixam

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    O Filme de Nolan é um Clássico? Entenda o que Define uma Obra Atemporal e Seus Filmes se Encaixam

    A discussão sobre o novo longa de Christopher Nolan reacende o debate sobre o que torna um filme, livro ou obra de arte digno de ser chamado de ‘clássico’ e se o tempo já pode ser um juiz.

    A Provocação e a Dificuldade de Prever o Futuro

    A recente discussão em um podcast sobre o mais novo filme de Christopher Nolan trouxe à tona uma questão intrigante: será que a obra se tornará um clássico com o passar dos anos? Ou, talvez, o diretor tenha almejado criar um clássico pela grandiosidade do projeto, mas não tenha atingido o objetivo? A dificuldade em prever a recepção futura de uma obra, especialmente uma que dialoga com a sensibilidade do presente, torna essa análise complexa. O roteiro, por exemplo, pode ter sido concebido para refletir a visão de mundo de Nolan e, ao mesmo tempo, atender à perspectiva antiguerra do Ocidente contemporâneo, onde o herói triunfante de longas jornadas militares nem sempre é bem recebido.

    O Que Realmente Significa Ser um Clássico?

    Antes de classificarmos qualquer obra, é fundamental definirmos o que constitui um clássico. A origem da palavra remonta à Roma antiga, onde ‘classicus’ designava os cidadãos de mais alta categoria social e econômica. Essa noção de excelência foi transposta para o campo da arte e da literatura no século II d.C., com o gramático Aulo Gélio usando o termo ‘scriptor classicus’ para diferenciar escritores de primeira linha. Ao longo dos séculos, o conceito se expandiu, passando a designar autores exemplares da Antiguidade greco-romana durante o Renascimento, e, posteriormente, qualquer obra considerada modelo em sua tradição. Essencialmente, um clássico é aquilo que se destaca pela excelência e se torna uma referência permanente para as gerações futuras.

    A Perspectiva de T.S. Eliot e a Maturidade da Obra

    O poeta e crítico literário T.S. Eliot, em seu ensaio “O que é um clássico”, oferece uma visão perspicaz. Para ele, a base de um clássico literário é a obra de Virgílio. Eliot não busca uma definição única, mas aponta para qualidades específicas. Uma das mais importantes é a maturidade. Um clássico só pode ser plenamente reconhecido com distanciamento temporal, em perspectiva histórica. Ele surge quando uma civilização, uma língua e uma literatura atingem um estágio de maturidade, e é fruto de uma mente igualmente madura. Essa maturidade da literatura reflete a sociedade que a produz, com autores construindo sobre o legado de seus antecessores.

    Maturidade, Completude e Universalidade: Os Pilares de um Clássico

    Eliot acrescenta que a maturidade da mente deve vir acompanhada da maturidade dos costumes, permitindo que a sociedade assimile e utilize o clássico como modelo. A língua, nesse contexto, atinge a maturidade quando os indivíduos desenvolvem um senso crítico do passado, confiança no presente e ausência de dúvida quanto ao futuro. Uma obra clássica carrega em si o gênio de um povo, apresentando completude e expressando o máximo possível da gama de sentimentos que representa o caráter de sua cultura. Essa completude pode se manifestar localmente ou de forma universal. Portanto, uma criação artística que exibe maturidade – resistindo ao tempo e estabelecendo um padrão –, completude e universalidade, pode ser considerada um clássico, seja na literatura, no cinema, na música ou em qualquer outra expressão artística. Os clássicos permanecem como um norte civilizacional, celebrando nossa humanidade.

    Quanto ao filme de Nolan, resta-nos aguardar e observar como o tempo o julgará.

    Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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