A decepção com o novo He-Man e o gatilho da nostalgia
A tentativa de assistir ao novo filme do He-Man com o filho mais novo se revelou uma experiência decepcionante. O que era para ser um momento de diversão nostálgica para o pai acabou em constrangimento, tamanha a qualidade questionável da produção. Essa experiência inesperada serviu como ponto de partida para uma reflexão mais profunda sobre o fenômeno da nostalgia no cinema e na cultura pop.
Macaulay Culkin e o retorno de Kevin: A Disney aposta na memória afetiva
No dia seguinte à frustração com He-Man, surge a notícia de que Macaulay Culkin, o eterno Kevin de ‘Esqueceram de Mim’, estaria negociando com a Disney para reprisar o papel. A ideia de um Kevin agora pai, enfrentando problemas com o próprio filho, acende um alerta: estariam os estúdios explorando a nostalgia de forma excessiva, a ponto de temer que nossos próprios filhos nos tranque para fora de casa?
A origem da palavra “nostalgia”: De doença a sentimento comum
Curiosamente, a palavra “nostalgia” não tem raízes gregas profundas, como o verniz sugere. Foi cunhada em 1688 pelo médico suíço Johannes Hofer para descrever uma doença que acometia soldados mercenários longe de casa. Hofer combinou os termos gregos ‘nostos’ (retorno) e ‘algos’ (dor), criando um diagnóstico para um mal-estar causado pela incapacidade de retornar ao lar. A “nostalgia” nasceu, portanto, como uma enfermidade, uma dor de quem está deslocado e anseia por um lugar de pertencimento.
Christopher Nolan e a “nostalgia megalômana”: Um reflexo do presente?
O cineasta Christopher Nolan, com seu recente filme ‘Oppenheimer’, que revisita a história da bomba atômica, é apontado como um exemplo de “nostalgia megalômana”. O filme, ao ligar a culpa de Ulisses com o Cavalo de Troia à descoberta de Oppenheimer, sugere um medo do presente e uma profecia de futuro sombrio. Desconfia-se que Nolan, antes de conceber sua “Odisseia”, pode ter se inspirado em produções como o novo He-Man e até mesmo nos ensaios de shows nostálgicos, como os da Xuxa.
O refúgio na memória: Ítaca, Eternia e a casa dos McCallister
A nostalgia de Hofer era específica: o deslocamento espacial com um destino claro de retorno. Já a nostalgia contemporânea, tanto a “comezinha” do público quanto a “megalômana” de Nolan, parece ser um deslocamento temporal. Em tempos incertos, corremos para “endereços” que oferecem um mapa seguro: a Ítaca de Ulisses, a Eternia do He-Man, a casa dos McCallister. E agora, com a estreia do novo Homem-Aranha, a busca por esses refúgios no passado parece continuar.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br