A Disney tem intensificado sua aposta em remakes live-action de suas clássicas animações, um movimento que gera tanto entusiasmo quanto questionamentos. Quem acompanha as novidades nas telonas percebe que, enquanto alguns projetos, como o recente live-action de Moana (2026), enfrentam um desempenho aquém do esperado nas bilheterias, com apenas US$ 308 milhões arrecadados globalmente contra um orçamento de US$ 250 milhões, outros se tornam fenômenos, como Lilo & Stitch (2025), que superou a marca de US$ 1 bilhão ao redor do mundo. Diante dessa inconsistência, a pergunta permanece: por que a Disney continua investindo massivamente nessa estratégia, lançando um remake atrás do outro?
A Virada de Chave: O Sucesso Inesperado de Alice no País das Maravilhas
Pode até parecer uma estratégia recente, mas a Disney vem explorando remakes live-action desde os anos 90, com produções como “101 Dálmatas” (1996), que marcou a icônica interpretação de Glenn Close como Cruella de Vil, e “O Livro da Selva” (1994). No entanto, foi em 2010 que a empresa encontrou sua verdadeira “galinha dos ovos de ouro”. O lançamento de “Alice no País das Maravilhas”, dirigido por Tim Burton e estrelado por Mia Wasikowska no papel titular e Johnny Depp como o Chapeleiro Maluco, revolucionou a percepção do estúdio sobre esse formato.
O filme não apenas modernizou a animação de 1951, transformando a história de Alice em um verdadeiro fenômeno na época, mas também se tornou um estrondoso sucesso de bilheteria, ultrapassando a marca de US$ 1 bilhão mundialmente e gerando até mesmo a sequência “Alice Através do Espelho” (2016). Esse marco abriu os olhos da Disney para o potencial financeiro dos remakes live-action. Nos anos seguintes, a estratégia foi consolidada com lançamentos igualmente bem-sucedidos como “Malévola” (2014), “Cinderela” (2015) e “A Bela e a Fera” (2017), pavimentando o caminho para a avalanche de adaptações que, mesmo “a trancos e barrancos”, se sustenta até hoje.
Por Trás da Persistência: Lucro, Nostalgia e Menos Riscos
A principal razão para a Disney continuar com os live-actions é inegável: eles ainda geram bastante dinheiro para o estúdio. Mesmo que, para cada “Lilo & Stitch” bilionário, a empresa lance alguns fracassos como “Moana” ou o aguardado “Branca de Neve” (2025) que já gerou polêmicas, o fato é que um live-action produzido pela Disney ainda consegue se sustentar na base da nostalgia e na manutenção do valor da marca.
Com atores reais interpretando personagens icônicos, a Disney consegue levar os fãs dos originais para as salas de cinema, garantindo uma margem de lucro daqueles que apreciam o formato. Além disso, em um cenário pós-pandêmico onde arriscar uma ideia original pode custar alguns milhões a menos nos bolsos dos executivos, apostar em histórias conhecidas pelo público é uma maneira segura de tentar evitar prejuízos. O risco de perder dinheiro ainda é menor do que investir em uma ideia original, pois já existe um público garantido que, graças à nostalgia, se sente mais inclinado a comprar um ingresso para ver a versão moderna de uma animação que amava na infância, por exemplo.
Ampliando o Império: Novas Gerações e Merchandising
Os remakes não servem apenas para rentabilizar filmes antigos; eles são uma ferramenta poderosa para a manutenção e expansão da propriedade cultural da Disney. Ao adaptar clássicos, o estúdio consegue introduzir essas histórias a uma nova geração de espectadores, ampliando o alcance das obras e, consequentemente, impulsionando a circulação de merchandising e o faturamento com produtos licenciados. É uma forma de garantir que a magia dos clássicos continue viva e relevante para diferentes públicos.
Imagine o quanto a empresa faturou com a venda de produtos licenciados de “Lilo & Stitch” quando o live-action chegou aos cinemas, ou o quanto as vendas dos parques temáticos da Disney podem ter aumentado com a comercialização de brinquedos, comidas e itens diversos. Tudo isso porque um remake fez com que os fãs de longa data e as crianças de hoje em dia se interessassem por uma nova versão do carismático alienígena azul. Essa sinergia entre filme, produtos e experiências reforça o valor da marca e garante sua hegemonia contínua no mercado global.
O Horizonte dos Live-Actions: O Que Vem Por Aí?
Apesar do tropeço de “Moana”, que pode ter deixado um gostinho amargo na Disney, o estúdio não demonstra sinais de desaceleração e está pronto para dar a volta por cima com novas releituras. Um lançamento bastante pedido pelos fãs, por exemplo, promete reverter esse cenário de baixas: “Enrolados”. A versão com atores reais vai adaptar a amada animação de 2010, que conta uma versão atualizada da história da Rapunzel. Atualmente em produção, o filme deve movimentar multidões nas salas de cinema em todo o mundo, principalmente apostando na nostalgia e na possibilidade de ver uma das histórias mais bem-sucedidas do estúdio de cara nova.
A Disney ainda tem outros projetos do formato em desenvolvimento, como o filme live-action de “Hércules” e a sequência de “Lilo & Stitch”, uma movimentação que indica que o estúdio não está nem um pouco interessado em dar uma pausa na produção de suas releituras. Com ideias originais muitas vezes ofuscadas por remakes e continuações em Hollywood, a Disney se mantém firme em sua estratégia. Resta observar se essa fórmula mágica continuará a encantar o público e a justificar os investimentos bilionários a longo prazo, ou se o estúdio precisará, eventualmente, buscar novas abordagens para manter sua hegemonia no entretenimento.
Fonte: canaltech.com.br
