Nicarágua Rumo à Ditadura: Ortega Anuncia Fim das Eleições e Oposição Clama por ‘Coreia do Norte da América Latina’

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Congresso Nicaraguense Inicia Plano Para Cancelar Eleições

Em um movimento que intensifica o cerco autoritário, o Congresso da Nicarágua iniciou, nesta quarta-feira (22), um plano de trabalho com o objetivo de encerrar o processo eleitoral no país. A decisão surge três dias após o presidente Daniel Ortega declarar abertamente que ‘não haverá mais eleições’. A medida foi justificada pelas autoridades eleitorais como um esforço para impedir ‘a terrível manipulação dos impérios e de seus lacaios’, em referência direta aos partidos de oposição.

Oposição e ONU Lamentam ‘Fim da Democracia’

A oposição nicaraguense e observadores internacionais reagiram com veemência à decisão, classificando-a como o ‘fim da democracia’ na nação centro-americana. Félix Maradiaga, um proeminente líder opositor que foi deportado em 2023, comparou a situação à da Coreia do Norte, alertando para a criação de um sistema de partido único sob controle de Ortega. O Alto Comissário das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, expressou profunda preocupação, afirmando que os ‘últimos acontecimentos aprofundam ainda mais as severas restrições às liberdades fundamentais’.

Repressão Violenta e Deterioração Democrática

A Nicarágua tem visto uma deterioração acentuada de sua situação política desde as massivas mobilizações populares de 2018, que exigiam a saída de Ortega do poder. Os protestos foram brutalmente reprimidos pelo aparato militar do governo, resultando em estimativas de pelo menos 325 mortes, segundo organizações internacionais. Em 2025, uma reforma constitucional liderada pelo regime de Ortega já havia adiado as eleições presidenciais para 2027, e a recente declaração do presidente sugere que nem mesmo essa data será cumprida.

Reações Internacionais e Alerta dos EUA

A comunidade internacional também manifestou seu descontentamento. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, criticou a decisão, prometendo que o governo americano e outros atores internacionais não permanecerão inertes diante da escalada repressiva e da instabilidade gerada pelo regime de Ortega e sua esposa, Rosario Murillo, que foi declarada copresidente do país na reforma de 2025. A ONU, através de Volker Türk, apelou às autoridades nicaraguenses para que ‘reabram o espaço cívico e restabeleçam o Estado de Direito’, garantindo o direito de todos os cidadãos de votar e serem votados.

Fonte: g1.globo.com

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