Congresso Inicia Plano Para Cancelar Eleições
O Congresso da Nicarágua iniciou nesta quarta-feira (22) um plano de trabalho com o objetivo de encerrar o processo eleitoral no país. A medida surge três dias após declarações do presidente Daniel Ortega de que não haverá mais eleições. Autoridades eleitorais foram instruídas a definir os “elementos para não deixar sequer uma brecha”, visando impedir o que Ortega chamou de “terrível manipulação dos impérios e de seus lacaios”, em referência aos partidos de oposição.
Repressão e Deterioração Democrática
Nos últimos anos, a Nicarágua tem sido palco de mobilizações massivas que exigem reformas democráticas, mas que foram violentamente reprimidas pelo governo. As leis nicaraguenses previam eleições presidenciais até o final deste ano, porém, uma reforma constitucional liderada pelo regime de Ortega em 2025 adiou o pleito para 2027. Nessa mesma reforma, Rosario Murillo, esposa de Ortega, foi declarada copresidente do país. As recentes declarações de Ortega indicam que mesmo a eleição de 2027 pode não ocorrer.
Oposição e Comunidade Internacional Reagem
Opositores e analistas criticaram a decisão, rotulando-a como o “fim da democracia” e uma “ditadura familiar plena”. O opositor Cristiana Chamorro, que já foi candidato presidencial e deportado pelo governo, comparou a estratégia de Ortega a modelos de partido único como os da China, Cuba ou Coreia do Norte. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, criticou a decisão, afirmando que o governo americano não ficará inerte diante da repressão e da instabilidade gerada pelo regime. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, expressou preocupação com a “profunda restrição às liberdades fundamentais” e o “desmantelamento do espaço cívico”, apelando às autoridades para que “reabram o espaço cívico e restabeleçam o Estado de Direito”.
Contexto Histórico e Violência Estatal
A deterioração política na Nicarágua se acentuou após os protestos de 2018, que pediam a saída de Ortega do poder. A repressão estatal resultou na morte de pelo menos 325 pessoas, segundo organizações internacionais. A situação atual consolida o temor de um regime autoritário, com o cancelamento das eleições sendo visto como o último passo para o controle total do poder.
Fonte: g1.globo.com