Mulheres Condenadas à Morte no Irã: Jovens e Mães São Alvos de Repressão em Protestos Contra o Regime

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Duas mulheres foram condenadas à morte no Irã em processos separados relacionados aos protestos que eclodiram contra o regime islâmico. As sentenças, impostas em Isfahan, um dos epicentros das manifestações, acendem o alerta de organizações de direitos humanos sobre a escalada da repressão e o uso da pena capital contra opositores.

Taraneh Rahimi, de apenas 20 anos, recebeu a pena capital junto com nove homens. O julgamento se deu em relação a eventos ocorridos durante os protestos em uma praça de Isfahan, onde houve mortes, incluindo a de um membro das forças de segurança. Outros acusados no mesmo caso, como Romina, irmã de Taraneh, foram sentenciados a penas de até 36 anos de prisão. Relatos indicam que os advogados de defesa tiveram acesso limitado ao processo, com poucas oportunidades para analisar as provas apresentadas pela acusação.

O caso de Leila Abolhasani, 43 anos e mãe de duas adolescentes, segue um roteiro semelhante. Um tribunal de Isfahan a considerou culpada de participar do incêndio de um estabelecimento comercial durante as manifestações. Famíliares negam a acusação, afirmando que Leila estava no local apenas filmando o ocorrido quando foi detida.

Apesar da defesa, a Justiça iraniana a condenou pelo crime de “guerra contra Deus”, uma acusação que pode levar à pena de morte. O caso de Leila foi encaminhado à Suprema Corte do Irã para revisão. Ela está presa há mais de sete meses e corre o risco de ser executada caso a sentença seja mantida.

Escalada de Execuções e Preocupação Internacional

As condenações de Taraneh e Leila ocorrem em um contexto de aumento significativo das execuções ligadas aos protestos. Segundo a organização Iran Human Rights (IHR), pelo menos 29 homens já foram executados neste ano por acusações relacionadas às manifestações. Até o momento, nenhuma mulher havia sido executada especificamente por sua participação nesses atos.

Organizações internacionais de direitos humanos têm denunciado o uso cada vez mais frequente da pena de morte pelo regime iraniano contra dissidentes. Dados de ONGs como o Abdorrahman Boroumand Center indicam que cerca de 950 pessoas já foram executadas no país desde o início de 2026. O Center for Human Rights in Iran (CHRI) aponta que o regime acelerou julgamentos e execuções após os protestos de janeiro, com processos frequentemente marcados por falta de acesso à defesa e denúncias de confissões obtidas sob coação.

Contexto dos Protestos

As manifestações contra o regime islâmico começaram no final de 2025, impulsionadas pela deterioração econômica e pelo aumento do custo de vida, mas rapidamente evoluíram para críticas diretas ao governo. As forças de segurança responderam com repressão intensa, prisões em massa e o uso de força letal contra os manifestantes, segundo relatos de organizações de direitos humanos baseadas fora do Irã.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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