O Debate da Existência: Live-Action de Moana Divide Críticos
A chegada do live-action de Moana aos cinemas levanta a questão recorrente sobre a necessidade de refazer animações consagradas. Dez anos após o sucesso do original, o diretor Thomas Kail assume a tarefa de trazer a jornada da jovem navegadora para o mundo real. O resultado, contudo, não é unanimidade entre os críticos. Enquanto alguns veem no filme uma obra competente e visualmente deslumbrante, outros questionam sua própria existência, considerando-o uma mera peça de conteúdo monetizável. No entanto, mesmo sob o ceticismo, o filme se apoia na força de seu elenco e na beleza de sua execução visual.
Atuações em Destaque: A Alma do Filme
Um ponto de consenso entre os críticos é o carisma da dupla protagonista. Catherine Laga’aia, em sua estreia, é amplamente elogiada por trazer a força necessária para a princesa que dispensa um príncipe. Sua voz é descrita como ressonante e sua expressividade fundamental para transportar o público. Dwayne Johnson, reprisando seu papel como o semideus Maui, também divide opiniões. Enquanto alguns destacam sua química com Laga’aia e o consideram a peça-chave para o sucesso do projeto, com uma performance cheia de carisma, outros o veem atuando em “piloto automático”, embora ainda capaz de momentos divertidos. O elenco de apoio, com destaque para Rena Owen como a avó Tala, também recebe elogios por sua “sabedoria terrena” e suporte emocional.
Visual e Tecnologia: Entre o Real e o Digital
Um dos aspectos mais discutidos é a forte presença de efeitos visuais. A abundância de elementos gerados por computador leva à reflexão sobre a diferença prática em relação à animação. Alguns críticos argumentam que tais preocupações perdem força diante do coração e do humor do longa, enquanto outros veem a hibridez como uma escolha artística bem-sucedida, criando uma atmosfera de vibração visual. No entanto, há quem critique a forte dependência de CGI, considerando o filme, na prática, “apenas outra animação”.
Música e Ritmo: A Essência das Ilhas Preservada?
A trilha sonora, com contribuições de Lin-Manuel Miranda, mantém seu poder de sedução. Os críticos apontam que os atores injetam tanta personalidade nas canções que questionar seu mérito se torna difícil. Moana é descrito como um entretenimento familiar cativante, com detalhes de design e uma ambientação tropical exuberante. Apesar de críticas pontuais sobre o ritmo e a sensação de que alguns elementos funcionam melhor na animação original, o panorama geral sugere uma obra que, embora não substitua sua fonte, conquista seu espaço. O remake de Moana, por sua beleza e entrega, ganha o direito de caminhar ao lado da animação de 2016.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
