Meta em Crise: CTO Admite Clima Interno ‘Entre os Piores da História’ Após Demissões e Remanejamento Forçado para IA

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O clima entre os funcionários da Meta está entre os piores dos seus 20 anos de história, segundo uma admissão interna feita pelo diretor de tecnologia (CTO) da empresa, Andrew Bosworth. A declaração ocorreu durante uma sessão interna conhecida como “Tuesdays with Boz”, realizada em 2 de junho, e foi relatada ao Business Insider por quatro participantes da chamada.

“Talvez não seja o pior que já foi em 20 anos aqui, mas está entre os piores. Definitivamente está entre os piores”, afirmou Bosworth. Ele mencionou que o único período que considerou mais grave foi o escândalo da Cambridge Analytica, quando dados de milhões de usuários do Facebook foram utilizados para influenciar eleitores nas eleições americanas de 2016.

Demissões em Massa e Realocações Compulsórias

O cenário atual de insatisfação tem suas raízes diretas no layoff de maio, quando a Meta demitiu cerca de 10% de seu quadro global, o equivalente a aproximadamente 7,8 mil pessoas dos 77.986 funcionários registrados no fim de março. Além dos cortes, outros 10% da força de trabalho foram remanejados compulsoriamente para iniciativas de inteligência artificial, como o Applied AI Engineering (AAI) e o Agent Transformation Accelerator (ATA).

Esses times, criados por Bosworth, fazem parte dos esforços da Meta em “IA para o trabalho”. Contudo, muitos dos funcionários transferidos descreveram o processo como um “recrutamento à força”. A percepção predominante é que as novas funções envolvem, na prática, a rotulagem de dados para treinar modelos de IA, em vez do desenvolvimento de produtos inovadores.

Monitoramento de Funcionários Gera Controvérsia

Em abril, a empresa também gerou forte reação interna ao instalar softwares de rastreamento de movimentos de mouse e teclas pressionadas pelos funcionários. O objetivo era usar esses dados no treinamento de modelos de IA. Mais de mil empregados assinaram uma petição contra a medida, conforme noticiado pela Reuters, evidenciando o descontentamento com as práticas de monitoramento.

Meta Busca Reverter o Cenário de Insatisfação

Na semana anterior à publicação do Business Insider, Bosworth enviou um memorando à equipe, afirmando que a Meta precisa “ser o melhor lugar para que as melhores pessoas façam o melhor trabalho”. O texto, obtido pelo Business Insider e inicialmente reportado pelo Wired, expressa a intenção de “reacender o melhor da cultura” que os funcionários buscaram na empresa.

Como parte dos esforços para melhorar o ambiente, a Meta anunciou que os funcionários remanejados para as equipes de IA terão a oportunidade de se candidatar a outras vagas internas. Além disso, a empresa prometeu ampliar orçamentos para viagens, eventos e lanches, buscando reintroduzir benefícios que foram cortados. A liderança também se comprometeu com maior transparência e mais atenção ao desenvolvimento de carreira dos colaboradores.

Reestruturações e a Aposta Central em IA

O momento de crise interna coincide com outras movimentações significativas na cúpula da Meta. No WhatsApp, Will Cathcart anunciou sua saída após mais de sete anos no comando do aplicativo, sendo substituído por Kunal Shah, fundador da fintech indiana Cred. Essa mudança ocorre em paralelo a um aporte de US$ 900 milhões da Meta na startup de Shah.

A reestruturação reflete a aposta da companhia em centralizar agentes de IA tanto nos produtos quanto nos processos internos. Andrew Bosworth, além de CTO e líder do Reality Labs, agora também comanda o Acelerador de Transformação de Agentes. Bosworth, que entrou no Facebook em 2006 como o décimo engenheiro da empresa, é responsável por criações icônicas como o Feed de Notícias, o Messenger e os Grupos originais. Até o momento, a Meta não se manifestou publicamente sobre as declarações de Bosworth ao Business Insider.

Fonte: canaltech.com.br

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