Navarro aponta retaliação e segurança nacional
O conselheiro sênior de Comércio e Manufatura da Casa Branca, Peter Navarro, acusou o que chamou de “lobby brasileiro” da carne bovina de ter ameaçado o governo do presidente Donald Trump. Segundo Navarro, após a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, frigoríficos do Brasil teriam redirecionado cargas de carne destinadas aos Estados Unidos para a China.
As declarações foram feitas durante uma coletiva de imprensa no Departamento de Justiça (DOJ), em Washington. Na ocasião, o governo americano anunciou a intensificação de investigações antitruste contra os quatro maiores frigoríficos que atuam no país, incluindo as brasileiras JBS e Marfrig (dona da National Beef).
“No meu mundo das tarifas, eu lembro vividamente que recentemente, quando o presidente impôs tarifas ao Brasil por causa de ações que eles tomaram que foram prejudiciais ao povo americano, o que aconteceu? O lobby da carne, representado pelos brasileiros, silenciosamente ameaçou a Casa Branca. E vimos carne que de outra forma estaria nos balcões, vendida em mercados americanos, indo para onde? A China”, afirmou Navarro.
O conselheiro argumentou que o episódio evidencia que o problema do mercado americano de carne bovina transcende a formação de preços, abordando também uma questão de segurança nacional. “Não é apenas com a manipulação e a fixação de preços que temos de nos preocupar. É também com a influência de estrangeiros em nossa cadeia de suprimentos e nas questões de segurança nacional associadas. Não podemos tolerar isso”, declarou.
JBS é acusada de financiar o sistema político americano
Em outro momento da coletiva, Navarro citou nominalmente a JBS, acusando a empresa brasileira de financiar o sistema político americano em larga escala. De acordo com o conselheiro, os frigoríficos brasileiros, com destaque para a JBS, “distribuem milhões de dólares ao sistema político americano como se fossem balas”. Ele apontou isso como um dos motivos para a indústria manter um nível de concentração que considera incompatível com um mercado competitivo.
Navarro ressaltou que a alta concentração, combinada com o controle estrangeiro, agrava o problema. “Os brasileiros são um problema bem maior”, disse, ao comparar as duas empresas brasileiras (JBS e Marfrig) com as americanas Tyson Foods e Cargill. Juntas, essas quatro empresas controlam 85% do mercado de processamento de carne bovina nos EUA, sendo que a JBS detém aproximadamente um quarto desse total.
Investigação antitruste é ampliada
A coletiva de imprensa desta segunda-feira serviu para anunciar a ampliação da investigação antitruste contra JBS USA, Cargill, Tyson Foods e National Beef. Segundo o procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, a investigação, iniciada em novembro de 2025 por determinação do presidente Trump, já analisou mais de 3 milhões de documentos e ouviu centenas de pecuaristas, produtores e processadores. Para Blanche, “a estrutura atual do mercado e a alta concentração da indústria indicam atividade anticompetitiva”.
A reportagem contatou as empresas brasileiras citadas para comentar o caso, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O conteúdo será atualizado caso haja manifestação.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
