Líderes da Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales se unem e declaram fim da era Westminster

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Líderes da Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales se unem e declaram fim da era Westminster

Em um movimento sem precedentes desde a década de 1990, os líderes da Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales assinaram um memorando de entendimento nesta segunda-feira (14), declarando que “o tempo de Westminster está chegando ao fim”. O documento, assinado em uma reunião no País de Gales, enfatiza o direito à autodeterminação de seus povos e sinaliza uma preparação para mudanças constitucionais significativas no Reino Unido.

Desejo de Autodeterminação e Referendos em Pauta

O acordo, endossado pelos líderes nacionalistas John Swinney (Escócia), Rhun ap Iorwerth (País de Gales) e Mary Lou McDonald e Michelle O’Neill (Irlanda do Norte), afirma que nenhum governo em Westminster tem o direito de “bloquear a democracia” ou “minar o princípio de que o nosso povo decidirá o seu próprio futuro”. Enquanto Escócia e Irlanda do Norte defendem a realização de novos referendos sobre independência, o País de Gales optou por não estabelecer um cronograma para uma consulta popular antes de 2030, focando em discussões sobre a transferência de poderes.

Críticas e União Política

A iniciativa gerou reações de opositores e partidos unionistas, que criticaram a ação dos líderes, sugerindo que deveriam priorizar questões domésticas como a saúde pública. No entanto, os signatários defendem que a “mudança no cenário político destas ilhas” justifica a “cooperação política prática” em diversas áreas, incluindo a constituição e o direito à autodeterminação. A expectativa é que um acordo sobre “futura colaboração em áreas de interesse comum” seja firmado entre Escócia e País de Gales.

Posições Divergentes sobre Referendos

Apesar da unidade na declaração de princípios, as abordagens para a independência divergem. John Swinney, líder do SNP escocês, descreveu a reunião como um “momento crucial” e expressou confiança de que a Escócia escolherá a independência se tiver a oportunidade em um referendo. Michelle O’Neill, do Sinn Féin na Irlanda do Norte, também reafirmou o direito ao referendo. Rhun ap Iorwerth, do Plaid Cymru galês, embora reconheça o direito do povo galês de decidir seu futuro, prefere que o povo defina o cronograma, descartando um referendo antes de 2030.

Reações do Governo do Reino Unido e Oposição

O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, teve uma aparente mudança de discurso ao sugerir a possibilidade de um referendo na Escócia, comparando a situação às condições para uma votação na Irlanda do Norte, mas logo esclareceu que a votação para a Escócia continua descartada pelo governo. O governo do Reino Unido declarou que o primeiro-ministro está “empenhado em promover mudanças em todas as quatro nações do Reino Unido e acredita firmemente na união.” Políticos de oposição no País de Gales criticaram o Plaid Cymru, acusando-o de querer “desmembrar a Grã-Bretanha” e de estar “obcecado” com a independência em detrimento de problemas locais como o Serviço Nacional de Saúde (NHS) e a educação.

Fonte: g1.globo.com

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