Candidata lidera pesquisas e mira segundo turno com promessas de controle migratório e atração de investimentos americanos.
Keiko Fujimori, favorita nas eleições presidenciais do Peru, declarou que, caso eleita, pretende expulsar imigrantes em situação irregular e intensificar a aproximação com os Estados Unidos. As declarações foram dadas em entrevista à AFP às vésperas da votação, onde a candidata busca consolidar sua posição para um eventual segundo turno em 7 de junho. Com mais de 16% das intenções de voto, segundo pesquisas de boca de urna, Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, concorre pela quarta vez ao cargo, prometendo “recuperar a ordem” em 100 dias.
Propostas de linha dura e alinhamento com a direita regional.
A administradora, graduada nos EUA, tem centrado sua campanha no combate à criminalidade, associando-a à imigração ilegal. Fujimori propõe a expulsão de cidadãos sem documentação e a criação de corredores humanitários para o retorno de quem for convocado a sair. Ela também mencionou a possibilidade de pedir ao Congresso autorização para enviar militares às prisões e implementar “juízes sem rosto”, medida adotada por seu pai. Fujimori vê sua candidatura como parte de uma “onda” de governos de direita na América Latina, citando exemplos como Javier Milei (Argentina) e Daniel Noboa (Equador).
Retorno de influência americana e legado familiar em debate.
Em sua entrevista, Keiko Fujimori expressou o desejo de “motivar os Estados Unidos a voltarem a participar mais ativamente” na economia peruana. Essa postura se alinha aos interesses dos EUA em reduzir a influência chinesa na região, onde o Peru é um dos principais receptores de investimentos da China na América Latina. A figura de seu pai, Alberto Fujimori, condenado por violações de direitos humanos e corrupção, mas lembrado por combater o Sendero Luminoso, ainda divide opiniões no país. “O que pedem é um Fujimori, aqui estou!”, declarou ela, ressaltando a memória de seu pai por “ordem e crescimento econômico”.
Promessa de diálogo após anos de instabilidade política.
Em um Peru marcado por profunda instabilidade política, com oito presidentes em uma década, Keiko Fujimori também prometeu adotar uma postura mais conciliadora. “Eu também cometi erros, ao ter momentos de muita confrontação. E, com isso, aprendi a priorizar o diálogo e a fomentar consensos”, afirmou, indicando uma evolução em sua abordagem política após as derrotas anteriores em segundos turnos presidenciais.
Fonte: jovempan.com.br
