Fujimorismo de volta ao centro do poder peruano
Keiko Fujimori conquistou a presidência do Peru em 24 de junho de 2026, após uma disputa acirrada no segundo turno contra Roberto Sánchez. Esta vitória, que se concretiza em sua quarta tentativa de chegar ao cargo máximo, sinaliza o retorno do fujimorismo ao poder central, evidenciando a profunda divisão política que assola o país, especialmente entre áreas urbanas e rurais.
O legado de Alberto Fujimori e a força do movimento
O fujimorismo, doutrina política edificada sobre as ações de Alberto Fujimori, pai de Keiko, que governou o Peru nos anos 90, ainda ressoa fortemente na sociedade. Alberto Fujimori é lembrado por ter estabilizado a economia peruana e combatido o grupo terrorista Sendero Luminoso. Para muitos, seu legado representa ordem e crescimento econômico, apesar das sombras de autoritarismo e acusações de corrupção que marcaram seu governo.
Plataforma de Keiko: Ordem, Segurança e Mercado
A campanha de Keiko Fujimori centrou-se em dois pilares principais: uma política de ‘mão dura’ contra o crime organizado e a defesa intransigente da economia de mercado. Sua proposta é manter o modelo de abertura comercial e ortodoxia fiscal, herdado de seu pai, apostando que a estabilidade econômica é o caminho para restaurar a confiança nacional.
Um país dividido: A geografia do voto peruano
A eleição, decidida por uma margem inferior a um ponto percentual, expôs a fratura social do Peru. Keiko obteve apoio significativo nas cidades litorâneas e entre os peruanos residentes no exterior, enquanto as regiões rurais e andinas tenderam a votar pela oposição. Este cenário reflete um país polarizado entre aqueles mais integrados ao mercado global e os que vivem em áreas mais isoladas e economicamente desfavorecidas.
Desafios iminentes para o novo governo
O principal obstáculo para Keiko Fujimori será a governabilidade em um país marcado por instabilidade institucional, que já viu oito presidentes nos últimos anos. Ela assume a presidência em meio a alegações de fraude pela oposição e precisará navegar em um Congresso fragmentado. Além disso, a resistência social em regiões mineradoras, palco de conflitos históricos entre grandes projetos e comunidades locais, representa outro grande desafio.
Democracia ou autoritarismo? A incógnita do novo governo
A grande questão que paira sobre o novo governo é se Keiko Fujimori exercerá o poder de forma democrática. Embora seu discurso evoque a ordem e a autoridade associadas ao governo de seu pai, ela afirma que atuará dentro das regras democráticas. Analistas e o mercado financeiro esperam estabilidade para investimentos, mas a polarização política e a pressão social podem testar os limites de sua adesão às instituições democráticas.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
