Jejum Trimestral Triplica Vocacionados: A Tradição das Têmporas Revitaliza Comunidade Religiosa

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A Oração que Gera Frutos

Em um cenário onde o número de vocações religiosas pode apresentar desafios, a Sociedade de Nossa Senhora da Santíssima Trindade (SOLT) encontrou uma solução surpreendente e antiga: a prática das têmporas. Esses períodos tradicionais de jejum, oração e ação de graças, que ocorrem três vezes ao ano durante as quatro estações, foram reintroduzidos pela comunidade em 2023 e já demonstram resultados notáveis.

O padre Dave Brokke, diretor de vocações da SOLT, explica que, embora não sejam obrigatórias pela Igreja, as têmporas são encorajadas. A decisão do Capítulo Geral do Ramo Clerical de adotá-las de forma mais intencional, focando especificamente no aumento de vocações, tem sido um divisor de águas. Em apenas três anos, a comunidade viu o número de homens em formação quase igualar o total dos dez anos anteriores.

As Têmporas: Uma Tradição Milenar

A expressão “têmporas” deriva do latim “quatuor tempora”, significando “quatro estações”. Documentada desde o século V, essa tradição litúrgica tem suas raízes no agradecimento a Deus pelas colheitas, essenciais para o pão e o vinho da Eucaristia. Cada conjunto de têmporas ocorre em uma quarta-feira, sexta-feira e sábado, dias com significados espirituais específicos: a quarta-feira remete à traição de Jesus, a sexta-feira à Paixão e o sábado ao repouso no sepulcro.

O padre Brokke utiliza um mnemônico para lembrar os períodos: “Lenty” (após a Quarta-feira de Cinzas), “Penty” (após Pentecostes), “Crucy” (após a Exaltação da Santa Cruz) e “Lucy” (após Santa Luzia). Ele ressalta a conexão intrínseca entre esses dias e os ciclos agrícolas, vinculando-os diretamente aos elementos usados na Eucaristia e à necessidade de pedir a Deus “trabalhadores para a vinha”, ou seja, vocações sacerdotais.

Do Campo à Vocação: Um Legado Renovado

Originalmente, as têmporas visavam não apenas uma boa colheita, mas também o aumento de vocações. Os homens frequentemente eram ordenados nos sábados das têmporas. A SOLT, ao decidir focar no aspecto vocacional dessa prática, descobriu que a oração diária que já realizavam desde a fundação da comunidade era, na verdade, uma das orações tradicionais das têmporas por vocações. Essa sincronia parece ter potencializado os efeitos.

O impacto foi imediato. No primeiro ano de prática, um jovem de Honduras se interessou pela comunidade, tornando-se noviço. No mesmo período, 27 homens da Universidade Franciscana participaram de um programa de discernimento sacerdotal. Seis anos antes, a SOLT contava com sete homens em formação; hoje, são 18. “Vimos muitos bons frutos”, celebra o padre Brokke, confiante no poder da oração comunitária e na força de uma tradição milenar revitalizada.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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