Ameaças de Consequências Econômicas
O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, reagiu firmemente às novas sanções impostas pelos Estados Unidos, classificando a decisão do presidente Donald Trump como uma “distração dos problemas econômicos americanos”. Araqchi alertou que a pressão adicional contra o país “fracassará”. Trump anunciou o que chamou de “operação econômica mais esmagadora” já realizada contra uma nação, ameaçando com “consequências econômicas enormes” qualquer país que ofereça apoio às instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais iranianos.
As declarações de Trump, publicadas em suas redes sociais, foram incisivas: “Contrabando de petróleo, linhas de swap, transferências de dinheiro, casas de câmbio, registros de navios, empresas de fachada — tudo isso precisa parar AGORA. Vocês sabem quem são.” O presidente americano, no entanto, não detalhou os mecanismos da ofensiva nem como pretende punir os países colaboradores.
Sanções e Parceiros Comerciais do Irã
A nova ofensiva econômica de Trump visa “isolar” e “derrotar” a “ameaça iraniana”, segundo o presidente, que justifica a medida pela falta de acordo sobre o programa nuclear do país. Apesar de já ser alvo de sanções que dificultam seu comércio internacional, o Irã mantém uma extensa rede de parceiros, impulsionado por ser um grande produtor de petróleo. Em 2022, o país exportou produtos para 147 nações.
A China figura como o principal parceiro comercial, com exportações iranianas de US$ 22 bilhões e importações de US$ 15 bilhões em 2022. A Índia ocupa o segundo lugar, com um comércio de US$ 1,34 bilhão nos primeiros dez meses de 2025, com destaque para exportações indianas de arroz, frutas, medicamentos e outros produtos farmacêuticos. Alemanha, Coreia do Sul e Japão também estão na lista de grandes parceiros, apesar de serem aliados dos Estados Unidos.
Impacto nas Relações Comerciais Globais
A efetividade de uma “guerra econômica” contra o Irã é questionada, considerando as sanções já existentes. Trump já havia anunciado em janeiro uma tarifa de 25% para países que negociassem com o Irã. Mesmo sob pressão, o país asiático demonstrou resiliência comercial.
No Brasil, o Irã não se encontra entre os 20 principais parceiros comerciais. Contudo, é um destino relevante no Oriente Médio. Em 2025, empresas brasileiras importaram US$ 84,5 milhões do Irã, principalmente ureia, pistache e uvas secas. As exportações brasileiras para o país somaram US$ 2,9 bilhões, com destaque para milho, soja e açúcar.
Fonte: g1.globo.com
