O Potencial Inexplorado das Regiões de Fronteira
Milhares de pessoas atravessam as fronteiras brasileiras diariamente, um fluxo que detém um potencial econômico imenso ainda subutilizado. O evento “Construção do Futuro nas Fronteiras”, realizado na trifronteira entre Barracão (PR), Dionísio Cerqueira (SC) e Bernardo de Irigoyen, na Argentina, promovido pelo Sebrae Nacional e Sebrae/PR, reuniu especialistas e empreendedores para debater como transformar essa circulação em oportunidades concretas de desenvolvimento para o turismo, comércio, serviços e lojas francas.
Integrando Setores para Maximizar a Permanência e o Consumo
Luiz Antonio Rolim de Moura, coordenador de Mercado Empresarial do Sebrae/PR, ressaltou a importância de reter o fluxo de pessoas, transformando as fronteiras de meros pontos de passagem em destinos de permanência e consumo. “Precisamos criar condições para que esses territórios deixem de ser apenas locais de passagem. Quando conseguimos integrar turismo, comércio, serviços, lojas francas, gastronomia, hospedagem, transporte e eventos, ampliamos as possibilidades de permanência e consumo do visitante”, explicou Rolim. Essa integração fortalece uma cadeia produtiva, gerando mais oportunidades e impulsionando o desenvolvimento regional.
O Exemplo de Foz do Iguaçu: Experiências que Ampliam a Estadia
Marcelo Valente, da Loumar Turismo, compartilhou a experiência de Foz do Iguaçu (PR), onde a estratégia de pensar a região como um conjunto de experiências complementares – como gastronomia, hotelaria, atrativos e compras – elevou o tempo médio de permanência dos visitantes de dois para cerca de quatro dias e meio a cinco dias. Essa abordagem integrada, que respeita as características de cidades vizinhas como Puerto Iguazú e Ciudad del Este, demonstra o poder da sinergia para o crescimento econômico.
Free Shops como Catalisadores de Movimento e Oportunidades Ampliadas
As lojas francas, ou free shops, desempenham um papel crucial na dinâmica comercial das fronteiras, atraindo consumidores e gerando movimento. Fernando Gaston Paradela e Patrícia Feldman, da Diamond Duty Free, de Dionísio Cerqueira (SC), destacaram que o impacto desses estabelecimentos pode ser potencializado pela atuação articulada de outros negócios e atores locais. “Temos um potencial muito forte para trabalhar coletivamente e fortalecer a fronteira como um todo. Precisamos ter essa consciência de que o fluxo gerado pelas lojas francas pode ir além das compras”, afirmou Patrícia, enfatizando que a integração e a preparação do território para receber o consumidor beneficiam diversos setores e fortalecem a região.
Empreendendo na Dualidade das Fronteiras: Desafios e Resiliência
Atuar comercialmente em dois países apresenta desafios únicos, como apontou a empresária Talita Casagrande, que opera no Brasil e na Argentina. A adaptação a diferentes culturas, legislações e realidades econômicas exige persistência e resiliência. Conhecer o perfil do consumidor, investir na capacitação das equipes e construir relações de confiança são pilares para o sucesso. “Empreender na fronteira é conviver diariamente com desafios como legislação, diferenças culturais e um câmbio que pode mudar rapidamente”, disse Talita, ressaltando que a capacidade de adaptação é fundamental.
Desenvolvimento Sustentável e Inclusivo para Quem Vive na Fronteira
Luciana Aguiar, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, enfatizou que o potencial das fronteiras vai além do fluxo de pessoas e mercadorias. O desafio reside em traduzir essa dinâmica em desenvolvimento real para os habitantes locais. “Precisamos olhar para as potencialidades dos territórios e ampliar as possibilidades de integração produtiva e de desenvolvimento das capacidades locais”, concluiu Aguiar, defendendo uma abordagem que conecte as dimensões econômica, social e ambiental para um desenvolvimento sustentável e gerador de novas oportunidades.
Fonte: agenciasebrae.com.br
