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{
"title": "Governo Indiano Exige Remoção Urgente de Anúncios de Abuso Infantil do Instagram Após Denúncias da BBC",
"subtitle": "Meta tem uma semana para explicar como material de abuso sexual infantil e pornografia adulta foi veiculado na plataforma, gerando alerta global sobre a segurança de crianças online.",
"content_html": "<p>O governo da Índia emitiu uma ordem rigorosa para a Meta, controladora do Instagram, exigindo a desativação imediata de anúncios e conteúdos que promovam ou facilitem o acesso a material de abuso sexual infantil. A determinação, vinda do Ministério de Eletrônica e Tecnologia da Informação, foi confirmada nesta segunda-feira (6), dias após uma investigação da BBC Eye revelar a presença de tais anúncios pagos na plataforma, muitos dos quais direcionavam usuários a canais no Telegram para a venda de conteúdo.</p><p>A Meta recebeu um prazo de uma semana para apresentar explicações detalhadas sobre como esses anúncios, que violam tanto as leis indianas quanto as próprias políticas da empresa, foram aprovados e veiculados no Instagram. Embora nem o governo nem a empresa tenham confirmado diretamente, a notificação coincide com a reportagem investigativa da BBC.</p><h3>A Investigação da BBC que Revelou os Anúncios Criminosos</h3><p>A equipe da BBC iniciou sua investigação criando um perfil falso no Instagram na Índia. O objetivo era monitorar a exibição de conteúdo sexualmente sugestivo, que a plataforma vinha mostrando mesmo sem busca ativa dos usuários. Após seguir dez contas de mulheres que publicavam sobre temas cotidianos com roupas provocativas e insinuações sexuais, o perfil começou a receber anúncios de pornografia adulta em menos de uma semana. Poucos dias depois, a conta foi exposta a peças publicitárias que remetiam diretamente a abuso sexual infantil, algumas com links para canais no Telegram.</p><p>No total, a BBC identificou cerca de 30 anúncios distintos ligados a abuso sexual infantil e outros 20 relacionados a pornografia adulta. A distribuição de ambos os materiais é considerada crime na Índia e vai contra as políticas de "tolerância zero" da própria Meta para nudez adulta ou exploração sexual de crianças. A BBC prontamente reportou os anúncios e os canais do Telegram às autoridades indianas.</p><h3>A Resposta do Governo e a Defesa da Meta</h3><p>Diante da pressão governamental, a Meta reiterou sua política de tolerância zero para a solicitação ou compartilhamento de material de abuso sexual infantil, inclusive em anúncios. A empresa afirmou utilizar tecnologia de inteligência artificial para detectar proativamente conteúdos e contas que violam suas regras. A Meta também negou veementemente a ideia de que direciona deliberadamente anúncios com crianças para usuários com interesse nesse tipo de conteúdo, ou que prioriza receita em detrimento da segurança dos usuários.</p><p>No entanto, a investigação da BBC revelou uma falha na moderação inicial da plataforma. Quando a BBC reportou um dos anúncios diretamente ao Instagram, a resposta, 24 horas depois, indicava que a publicação não violava as diretrizes da comunidade. Somente após ser procurada diretamente pela reportagem, a Meta agiu, afirmando ter desativado diversos anúncios e suspendido as contas responsáveis.</p><h3>O Desafio da Moderação e a Responsabilidade das Plataformas</h3><p>Este incidente ressalta os desafios contínuos enfrentados por grandes plataformas digitais na moderação de conteúdo. O processo de aprovação de anúncios no Instagram, por exemplo, envolve um sistema automatizado. A Meta, cujo faturamento em 2025 (ano fiscal) foi de US$ 200 bilhões, com quase 98% proveniente de anúncios, lida com um volume massivo de publicações diariamente.</p><p>O Telegram, embora não seja o alvo direto da notificação indiana, também foi mencionado como um destino para os links criminosos. A empresa informou à BBC ter removido mais de 274 mil grupos e canais associados a material de abuso sexual infantil em anos recentes. Além deste caso, a Meta já havia sido cobrada por seu conselho independente de supervisão para remover um vídeo de deepfake sexual que permaneceu no ar por meses, evidenciando uma pressão constante sobre a eficácia de seus sistemas de segurança e moderação.</p>"
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Fonte: canaltech.com.br
