Guerra na Ucrânia: Como drones se tornaram o armamento mais letal e por que civis são as maiores vítimas

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Da Linha de Frente ao Ataque a Cidades: A Evolução da Guerra de Drones

O conflito entre Ucrânia e Rússia, outrora focado em combates terrestres e artilharia pesada, evoluiu drasticamente, tornando-se a primeira grande guerra de drones do século XXI. A estagnação da linha de frente terrestre impulsionou ambos os lados a adaptarem suas táticas, com a escalada gradual do uso de drones em larga escala.

Inicialmente, a Rússia empregava drones Shahed de fabricação iraniana. Em resposta, a Ucrânia não apenas desenvolveu suas próprias capacidades de produção em escala industrial, mas também se tornou referência em tecnologia de drones, incorporando sistemas de inteligência artificial. A meta do Exército ucraniano é produzir 4,5 milhões de drones de ataque até 2025. A Rússia, por sua vez, também ampliou significativamente sua produção nacional, alcançando uma escala semelhante.

Drones Superam Artilharia em Letalidade

A expansão na produção transformou os drones na arma mais letal da guerra, respondendo por até 80% das mortes na linha de frente em 2025, superando a artilharia. Diferentemente dos mísseis, que exigem defesas aéreas sofisticadas e caras, os drones são mais baratos de produzir e mais difíceis de detectar por radares convencionais devido à sua velocidade e altitude de voo. O número de drones disparados mensalmente pela Rússia, por exemplo, multiplicou-se por dez em apenas três anos, atingindo cerca de cinco mil por mês.

Estratégias de Ataque e Alvos Críticos

A Rússia utiliza ataques de drones em larga escala com o objetivo de atingir infraestruturas críticas, centros políticos e econômicos ucranianos, como Kiev, visando forçar negociações favoráveis ao Kremlin. Em contrapartida, a Ucrânia intensificou seus ataques aéreos contra o território russo. Em 2024, foram cerca de 7,2 mil bombardeios contra alvos estratégicos russos, um aumento de doze vezes em relação ao ano anterior. Com a autorização de aliados para usar mísseis de longo alcance, a Ucrânia tem focado em causar danos à economia russa, especialmente nos setores de petróleo, gás e logística, e também em atingir a empresa de e-commerce Wildberries, acusada de ligações com a produção de drones russos.

Ataques no Mar Negro e Pedidos por Defesas Aéreas

A guerra de drones se estendeu também ao Mar Negro, com ambos os países atacando navios. A Ucrânia tem visado embarcações russas, algumas ligadas à chamada “frota-fantasma”, o que levou à suspensão do fluxo comercial no Mar de Azov. A Rússia tem respondido com ataques a navios de bandeira ucraniana. Diante da exaustão de suas defesas aéreas, especialmente contra mísseis balísticos russos, o presidente ucraniano Zelensky tem solicitado repetidamente o envio de mais baterias antimísseis por parte de seus aliados.

Fonte: g1.globo.com

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