Guerra em Teerã: Civis sofrem com ataques aéreos e falta de preparo das autoridades

0
13

Bairros residenciais atingidos por bombardeios

A guerra em Teerã tem deixado um rastro de destruição e sofrimento entre a população civil. Ataques aéreos israelenses e americanos, que visam alvos ligados ao Estado iraniano, têm atingido áreas densamente povoadas, resultando na morte de civis e na destruição de lares. Um exemplo trágico ocorreu no bairro de Resalat, onde um edifício de apartamentos foi destruído por um ataque em 9 de março, matando dezenas de famílias.

Testemunhas relatam o horror vivido durante os ataques, com múltiplas explosões em rápida sucessão e a queda de escombros sobre as vítimas. Um morador de 55 anos descreveu o momento do ataque como “tão repentino” que foi “arremessado para o outro lado do cômodo”. Ele perdeu tudo, incluindo documentos e pertences, e agora está desabrigado, hospedado em um hotel próximo.

Armamento pesado e danos colaterais

Especialistas militares apontam para o uso de bombas pesadas da série Mark 80, possivelmente a Mark 84 (907 kg), em Teerã. O uso desse tipo de armamento em áreas povoadas é considerado desproporcional e potencialmente ilegal pelo direito humanitário internacional, que exige a distinção entre alvos militares e civis e a minimização de danos a estes últimos.

Imagens de satélite e verificadas pela BBC Eye mostram a extensão da destruição, com edifícios a até 65 metros de distância do alvo principal severamente danificados. A Força Aérea Israelense confirmou ter atacado um prédio militar ligado à Basij, mas a análise das consequências sugere que o impacto se estendeu muito além do alvo declarado.

Falta de preparo e comunicação das autoridades

Moradores criticam a resposta das autoridades iranianas à guerra, apontando a falta de medidas básicas de segurança, como abrigos públicos, apoio à evacuação e acomodação temporária para os deslocados. Relatos indicam ausência de sirenes, avisos ou qualquer orientação sobre como se proteger durante os ataques, gerando um sentimento de incerteza e vulnerabilidade.

O governo iraniano não divulgou publicamente protocolos de defesa civil em resposta aos ataques. Enquanto os Estados Unidos e Israel afirmam visar a infraestrutura do Estado iraniano, a proximidade desses alvos com áreas residenciais em Teerã resulta em consequências devastadoras para a população civil, que perde suas casas, famílias e a sensação de segurança.

Vítimas civis e o impacto social

A agência HRANA informa que 1.464 civis, incluindo 217 crianças, foram mortos no Irã no primeiro mês do conflito. Os ataques a áreas residenciais podem agravar o ressentimento da população, inclusive daqueles que antes criticavam o regime iraniano. Para os que vivenciam essa realidade, a guerra se mede em perdas materiais, familiares destruídas e a crescente sensação de que nenhum lugar é seguro.

Fonte: g1.globo.com

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here