A Alibaba, gigante chinesa por trás do popular e-commerce AliExpress, proibiu seus funcionários de utilizarem o Claude Code, uma ferramenta de programação com inteligência artificial desenvolvida pela Anthropic. A decisão, revelada pela Reuters nesta sexta-feira (3), citando uma fonte não identificada, orienta os colaboradores a migrarem para o Qoder, a plataforma de programação própria da Alibaba.
Por que a Alibaba barrou o Claude Code?
O banimento surge em um momento de crescente escrutínio sobre os recursos do Claude Code. Desenvolvedores relataram que a ferramenta da Anthropic possuía a capacidade de identificar usuários ligados à China, analisando informações como fuso horário e dados de proxy, além de inserir marcadores sutis em comandos enviados aos servidores da empresa. Um funcionário da Anthropic defendeu, em uma publicação no X, que tal recurso era um “experimento lançado em março” com o objetivo de prevenir o abuso de contas por revendedores não autorizados e proteger a empresa contra a “destilação de modelos”.
A fonte ouvida pela Reuters explicou que as restrições da Anthropic, embora difíceis de aplicar a usuários individuais que podem disfarçar sua origem de tráfego, representam um risco maior para empresas, que precisam estar atentas a questões legais e de compliance.
Escalada de uma Disputa Gigante de IA
A proibição do Claude Code agrava uma disputa que já vinha se intensificando entre as duas potências tecnológicas. Em 10 de junho, a Anthropic enviou uma carta ao Comitê de Bancos, Habitação e Assuntos Urbanos do Senado dos Estados Unidos, acusando a Alibaba de tentar extrair “de forma descarada e ilícita” as capacidades de seus modelos de IA. A denúncia, apurada pela CNBC, classifica o episódio como o maior ataque de destilação já identificado contra a empresa.
A destilação, neste contexto, é um método de treinamento de inteligência artificial onde um modelo menor e menos sofisticado é construído a partir das respostas de um modelo mais potente e já existente. Segundo a carta da Anthropic, operadores ligados à Alibaba e ao seu laboratório de IA teriam realizado impressionantes 28,8 milhões de interações com os modelos da Anthropic entre 22 de abril e 5 de junho, utilizando cerca de 25 mil contas fraudulentas. Um porta-voz da Anthropic enfatizou que o combate à destilação ilícita exige uma ação coordenada entre governo e indústria.
O Silêncio das Gigantes
Até o momento, nem a Alibaba nem a Anthropic responderam aos pedidos de comentário da Reuters sobre o banimento do Claude Code. A empresa chinesa também não se manifestou publicamente sobre as graves acusações de destilação feitas pela Anthropic.
Fonte: canaltech.com.br
