A Inteligência Artificial (IA) está se tornando tão ubíqua que, em muitos casos, já opera de forma ‘invisível’. Esse conceito, central no painel de Ricardo de Almeida, especialista em IA do Google Cloud, na Gramado Summit 2026 e em sua conversa no Podcast Canaltech, descreve o momento em que a tecnologia se integra ao cotidiano a ponto de passar despercebida, mas com um impacto revolucionário.
A Revolução da Automação e Hiperpersonalização
A verdadeira virada, segundo Almeida, acontece quando as áreas de negócio – e não mais exclusivamente as equipes de TI – assumem a criação e o uso de agentes autônomos para automatizar tarefas rotineiras. ‘O usuário final está criando isso. Não é mais algo da área de tecnologia’, afirma. O próximo estágio prevê equipes de agentes especializados trabalhando em conjunto para processos mais complexos.
Esse avanço caminha lado a lado com a hiperpersonalização. No varejo, os resultados são tangíveis: o especialista do Google citou o caso das Casas Bahia, que viu um aumento de 60% no fechamento de vendas ao utilizar IA para adaptar imagens de produtos a contextos mais relevantes para cada consumidor. A expectativa é que, em breve, empresas com atuação nacional consigam produzir peças de marketing regionalizadas por estado e, futuramente, por cidade ou microrregião, com uma velocidade industrial.
IA na Saúde: Avanços Estruturais e Foco no Paciente
Na área da saúde, a IA já impulsiona transformações mais estruturais. O AlphaFold, desenvolvido pelo Google DeepMind, mapeou mais de 200 milhões de estruturas de proteínas em acesso aberto, uma base de dados que acelerou significativamente a pesquisa de medicamentos e o desenvolvimento de vacinas, incluindo as contra a Covid-19.
Mais recentemente, em 2025, o Google lançou o MedGemma, um conjunto de modelos de IA focado na análise de imagens clínicas e na geração de laudos, disponibilizado para startups e pesquisadores. ‘São ferramentas que vêm para ajudar [o profissional de saúde] a dar mais foco no paciente do que ele consegue hoje’, explica Almeida, ressaltando o papel de apoio da IA.
O Limite Humano da Automação e o Ecossistema de Startups
No cenário corporativo, Almeida enfatiza que a automação possui um limite crucial: a responsabilidade final pelo resultado permanece humana. ‘A gente não pode delegar para a inteligência artificial a culpa pelo resultado daquilo que a gente faz’, pondera. A função primordial da IA, nesse contexto, é desonerar os profissionais das tarefas de busca e organização de informações, permitindo que se dediquem à análise crítica e à tomada de decisões estratégicas.
Expandindo sua atuação, o Google tem fortalecido sua presença no ecossistema de startups para além do eixo Rio-São Paulo. O programa Google for Startups Pop-up já passou por Porto Alegre em março e tem paradas confirmadas em Belo Horizonte (junho), Florianópolis (agosto) e Belém ao longo de 2026.
Para Ricardo de Almeida, a ‘IA invisível’ representa uma oportunidade singular para o país. ‘O Brasil vive num país com uma série de desafios a serem resolvidos e a inteligência artificial pode ser parte dessa solução’, conclui, sublinhando o potencial transformador da tecnologia para o desenvolvimento nacional.
Fonte: canaltech.com.br
