Em uma decisão que promete remodelar o cenário da inteligência artificial na Europa, a União Europeia (UE) determinou que o Google deve abrir uma série de seus serviços digitais no sistema Android e na busca para concorrentes de IA. Anunciada na última quarta-feira (15) e com validade exclusiva para o bloco europeu, a medida faz parte de um esforço maior para adequar a Gigante das Buscas à Lei dos Mercados Digitais da UE, que visa regulamentar as atividades das principais empresas de tecnologia na região.
O que a decisão europeia exige do Google?
As novas regras são abrangentes e afetam diretamente 11 recursos do sistema Android, visando nivelar o campo de jogo para empresas que desejam competir com a inteligência artificial Gemini do Google. Entre as principais exigências, destaca-se a liberação de serviços de ativação por voz, o que permitirá a concorrentes como a OpenAI inserir alternativas ao tradicional comando “OK, Google” nos celulares.
Além disso, a Big Tech precisará fornecer acesso à sua tecnologia para automatizar tarefas. Isso significa que outras empresas de IA poderão desenvolver funcionalidades para serviços como pedir um táxi ou delivery, um dos pontos fortes da Inteligência Gemini, que foi lançada para Android no primeiro semestre deste ano. Por fim, e de maneira crucial, o Google terá que compartilhar dados anônimos, utilizados para aprimorar seus serviços de busca, com os concorrentes no segmento de IA.
As mudanças são globais?
É importante ressaltar que as alterações impostas pela União Europeia não terão aplicação global. As medidas são específicas para a atuação do Google nos países membros da UE e deverão ser implementadas a partir do próximo ano, por meio de atualizações no sistema operacional Android.
Google reage: Preocupações com privacidade e segurança
A decisão da UE não foi bem recebida pelo Google. Em nota, Kent Walker, Presidente de Assuntos Globais da empresa, expressou forte descontentamento. Walker argumentou que as novas regras representam um risco significativo, podendo “comprometer salvaguardas vitais de privacidade e segurança para milhões de europeus”. O porta-voz também manifestou preocupação com a possibilidade de expor pesquisas privadas dos usuários a empresas desconhecidas, levantando um debate sobre o equilíbrio entre concorrência e proteção de dados pessoais.
Fonte: canaltech.com.br
