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"title": "Ex-Presidente Augusto Melo é Expulso do Corinthians Após Acusações de Tentativa de Golpe e Vínculo com Escândalo Vai de Bet",
"subtitle": "Conselho Deliberativo do Corinthians vota pela exclusão de Augusto Melo do quadro de sócios, citando manobra política para retomar o poder; ex-mandatário nega irregularidades em meio a uma série de afastamentos no clube.",
"content_html": "<p>Em uma decisão que marca mais um capítulo turbulento na história recente do Sport Club Corinthians Paulista, o ex-presidente Augusto Melo foi expulso do quadro associativo do clube nesta segunda-feira (1º). A medida, aprovada por esmagadora maioria no Conselho Deliberativo – 147 votos a favor e apenas cinco contra –, decorre de um julgamento interno por uma alegada tentativa de golpe. Melo teria invadido o Parque São Jorge e aplicado uma manobra política para retomar o poder enquanto estava afastado do cargo, antes de sua destituição ser sacramentada.</p><p>Augusto Melo, que sofreu impeachment em agosto do ano passado (2024), defende-se das acusações. Em nota oficial divulgada antes da votação, ele negou qualquer invasão e afirmou não haver provas contra ele, mencionando que o caso já teria sido arquivado pela polícia. Apesar de ter recebido conselhos para renunciar, Melo descartou a possibilidade, reiterando seu respeito à democracia e aos estatutos do clube. Uma tentativa de obter liminar para suspender a votação não obteve resposta da Justiça a tempo.</p><h3>Um Cenário de Limpezas no Clube</h3><p>A expulsão de Augusto Melo não é um evento isolado no Corinthians. Na semana anterior, outros dois ex-presidentes também tiveram seus laços com o clube rompidos. Andrés Sanchez foi expulso em 25 de março, após investigações apontarem gastos pessoais de R$ 480.169,60 (em valores corrigidos) com o cartão corporativo do clube. Em um movimento similar, Duílio Monteiro Alves, aliado de Andrés e também investigado por uso indevido de recursos, renunciou ao título de sócio remido e ao posto de conselheiro vitalício, retirando-se definitivamente do quadro de sócios. A série de afastamentos reflete um período de intensa reestruturação e busca por transparência no Alvinegro.</p><h3>A Tentativa de Retomada do Poder</h3><p>O incidente que culminou na expulsão de Melo ocorreu após seu afastamento em maio de 2024. O ex-dirigente, em uma manobra para tentar reverter sua situação, teria se valido de um documento apresentado por Maria Ocampos, então vice-presidente do Conselho. Ocampos autodeclarou-se presidente do órgão, alegando que Romeu Tuma Jr., presidente à época, estava afastado por decisão do Comitê de Ética desde 9 de abril. Com base nessa argumentação, Melo, acompanhado de Osmar Stábile, invadiu a sala da presidência na tentativa de reassumir o comando, gerando grande confusão. Posteriormente, o ofício apresentado por Ocampos foi considerado inválido por não ter cumprido os trâmites necessários.</p><h3>O Escândalo Vai de Bet: A Raiz da Crise</h3><p>A origem da crise que levou ao impeachment e, agora, à expulsão de Augusto Melo remonta ao escândalo do contrato com a Vai de Bet. Melo, que se apresentou nas eleições de 2023 como a alternativa para encerrar 16 anos de poder do grupo Renovação e Transparência, viu sua gestão ruir em maio de 2024 com a denúncia do caso, levada ao vice-presidente Armando Mendonça pelo jornalista Juca Kfouri. O contrato de R$ 360 milhões, rescindido unilateralmente pela casa de apostas em junho de 2024, previa o pagamento de 7% do valor líquido de cada parcela à Rede Media Social Ltda, apontada como intermediadora. Investigações da Polícia Civil concluíram que a Rede Social Media Ltda utilizou uma rede de empresas fantasmas para desviar valores para a conta da UJ Football Talent Intermediação, companhia que foi associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) por um delator, posteriormente executado em novembro de 2024.</p><h3>O Desdobramento Judicial e o Impeachment</h3><p>O caso Vai de Bet desencadeou múltiplos pedidos de impeachment contra Melo. O processo no Conselho Deliberativo enfrentou obstáculos, com liminares e suspensões por falta de segurança, até que a aprovação do impeachment veio em 26 de maio de 2024, resultando no afastamento do dirigente. A decisão foi referendada em Assembleia Geral de sócios em 9 de agosto de 2024. Pouco antes, em julho, Melo tornou-se réu na Justiça de São Paulo por suspeita de lavagem de dinheiro, associação criminosa e furto qualificado por abuso de confiança. Além dele, os ex-dirigentes Marcelo Mariano e Sérgio Moura, o empresário Alex Cassundé, e Victor Henrique Shimada e Ulisses de Souza Jorge, da UJ Football, também foram indiciados e negam as acusações. A mobilização de torcedores, que se reuniram em frente ao Parque São Jorge com gritos de "Augusto picareta", demonstrou o clima de insatisfação, embora em menor escala que a vista durante a votação de Andrés Sanchez. Augusto Melo não compareceu à reunião, sendo representado por seu advogado, Ricardo Jorge.</p>"
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Fonte: jovempan.com.br
